Viagem de motorhome nos Estados Unidos

Por Alessandra Leite

Por que as road trips a bordo de um motorhome são tão populares nos USA? Embarcamos nesta aventura pelo estado do Arizona para entender o porquê das chamadas “family vacations”, como são chamadas, fazerem parte da cultura do viajante norte americano.

Conhecidos também como RV = Recreational Vehicle, os motorhomes e trailers proporcionam uma experiência única e divertida. O primeiro é uma residência sobreposta a um chassi motorizado, onde cabine e casa estão unidas, enquanto o segundo precisa ser rebocado por um automóvel.

Imagine você pernoitar diante de paisagens paradisíacas, em praias ou montanhas, em ruas de cidades menores e tranquilas ou até mesmo no estacionamento de um supermercado. Com certeza, o grande diferencial desse tipo de viagem é a liberdade de não ter que se preocupar com o horário de entrada e saída de hotéis e de poder alterar a qualquer momento o roteiro.

Segundo Phil Ingrassia, presidente da The National RV Dealers Association (RDVA), estimasse que, anualmente, nos Estados Unidos 25 milhões de pessoas aluguem um RV para viajar pelo País. Enquanto, 9 milhões de cidadãos americanos possuem o seu próprio veículo.

A estrutura excepcional que os Estados Unidos oferecem, como rodovias de primeiríssimo mundo, segurança e muitas opções de campings, reflete neste surpreendente número de viajantes que querem explorar os quatro cantos do País a bordo de um RV.

Planejamos um roteiro, mas sabíamos que tudo poderia mudar ao longo da viagem, afinal, o itinerário flexível é uma das grandes vantagens de estar a bordo de um RV. Em dezembro do ano passado, desembarcamos em Phoenix, capital do Arizona, para esta aventura. Ao chegar à cidade, fomos direto para a Cruise America (veja informações no fim desta página).

Na retirada do veículo, assistimos um vídeo que explica detalhadamente o funcionamento do motorhome e, em seguida, um funcionário nos entregou, além do manual do RV, um mapa, um catálogo de campings da rede Koa espalhados por todo o País e ainda esclareceu possíveis dúvidas. Também estavam inclusos os kit de roupa de cama e banho e o de cozinha, itens opcionais, mas necessários para viajar com mais conforto.

A primeira impressão é que será difícil pilotar aquele RV, com oito metros de comprimento e quatro de largura, mas com alguns cuidados básicos ao fazer curvas, nas ultrapassagens e ao estacionar, como contar com o auxílio de alguém para ajudar durante as manobras, logo você se acostuma.

Arizona

Localizado no sudoeste dos Estados Unidos, o Arizona proporciona uma diversidade de experiências para os seus visitantes. Em uma viagem pelo estado é possível tanto visitar suas paisagens naturais, como as montanhas, cânions e florestas de pinheiros, que permeiam o norte, e os desertos, ao sul, quanto conhecer mais sobre a cultura indígena e a do velho oeste, e ainda percorrer a parte mais conservada do trecho original da lendária Rota 66.

Viajamos por mais 1,8 mil km em nove dias e experimentamos um pouco da peculiaridade deste incrível destino. A primeira parada foi Scottsdale, uma pequena cidade que faz parte da grande Phoenix, a sua charmosa Old Town é repleta de restaurantes, bares e muitas galerias de arte. E foi em um estacionamento de shopping que resolvemos pernoitar.

Old Town em Scottsdale Foto: Alessandra Leite

Old Town em Scottsdale
Foto: Alessandra Leite

No dia seguinte, partimos para o sul e atravessamos o exuberante deserto de Sonora, com seus enormes cactus saguaro, rumo à Tombstone. A cidade ainda mantém intactos os cenários do velho oeste e foi palco do famoso duelo do OK Corral, o episódio mais celebre da história do faroeste americano.

Em 1880, os irmãos Earp, os famosos homens da lei chegam à cidade para aproveitar a prosperidade da região baseada no garimpo da prata e entraram em confronto com a quadrilha dos cowboys.  Este espírito “western” pode ser vivenciado nas performances ao vivo, nos museus e nos divertidos saloons.

Tombstone Foto: Alessandra Leite

Tombstone
Foto: Alessandra Leite

De lá, seguimos para o norte e, em poucas horas na estrada, o cenário começa a se transformar. Com o aumento da altitude, a paisagem desértica, formada por cactos, dá lugar aos gigantescos paredões de rocha vermelha. Uma sinuosa estrada nos levou para a encantadora Jerome, cidadezinha construída no topo de uma colina e que tem fama de ser mal assombrada.

A caminho de Jerome Foto: Alessandra Leite

A caminho de Jerome
Foto: Alessandra Leite

Jerome Foto: Alessandra Leite

Jerome
Foto: Alessandra Leite

Mais algumas milhas adiante chegamos à exotérica Sedona.

Camping Rancho Sedona Foto: Alessandra Leite

Camping Rancho Sedona
Foto: Alessandra Leite

Cercada pelas Red Rocks, as gigantescas rochas vermelhas que formam o Oak Creek Canyon, Sedona é um lugar especial para quem gosta de aventura ou está apenas em busca equilíbrio entre o corpo e a mente.

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Entre as Red Rocks existem pontos em que a energia do planeta é concentrada, chamados de vórtices, tal fenômeno atribui uma característica mística ao destino. São inúmeras atividades disponíveis para explorar as belezas naturais e a atmosfera zen, como as trilhas para fazer a pé ou de jipe, sessões de massagens, aulas de yoga ao ar livre e sobrevoo de helicóptero – um passeio que garante doses altas de frio na barriga devido à aproximação com as montanhas. Uma visão única da cidade, do cânion e das ruinas indígenas.

Red Rocks que formam o Oak Creek Canyon Foto: Alessandra Leite

Red Rocks que formam o Oak Creek Canyon
Foto: Alessandra Leite

Depois de 24 horas nevando e sem visualizarmos nenhuma Red Rock fomos presenteados com um dia lindo que a cada momento nos mostrava um pouquinho mais do cenário emoldurado pela neve. Um dos lugares memoráveis é a Chapel of the Holy Cross. Construída sobre uma pedra, sua arquitetura moderna contrasta harmonicamente com o as formações rochosas avermelhadas.

Chapel of the Holy Cross em Sedona Foto: Alessandra Leite

Chapel of the Holy Cross em Sedona
Foto: Alessandra Leite

Passeio de helicóptero em Sedona Foto: Alessandra Leite

Passeio de helicóptero em Sedona
Foto: Alessandra Leite

Hora de partir. Decidimos pegar uma das rotas cênicas do estado, a 89A, que atravessa o Oak Creek Canyon e interliga as cidades de Sedona e Flagstaff. As curvas da estrada atravessam paisagens cobertas por neve de tirar o fôlego. Próxima parada: Grand Canyon! Esta incrível beleza natural foi moldada pela erosão de centenas de milhares de anos, provocada pelo rio Colorado no avermelhado terreno do deserto.

Hopi Point no Parque Nacional do Grand Canyon Foto: Alessandra Leite

Hopi Point no Parque Nacional do Grand Canyon
Foto: Alessandra Leite

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Chegamos pela principal entrada, o acesso sul do parque nacional. É neste local que fica o Grand Canyon Village, onde estão os hotéis, restaurantes, lojas de conveniência, campings e o centro de visitantes.

A borda sul, o South Rim, está aberta durante o ano inteiro e é a mais bem estruturada para os turistas enquanto a parte norte, o North Rim, é a mais selvagem e com menos infraestrutura, funcionando apenas entre maio e outubro. Uma série de atividades estão disponíveis, desde caminhadas e cavalgadas até raftings e passeios de helicóptero.

Anoitecendo no Grand Canyon Foto: Alessandra Leite

Anoitecendo no Grand Canyon
Foto: Alessandra Leite

Mais um pouco de Grand Canyon Foto: Alessandra Leite

Mais um pouco de Grand Canyon
Foto: Alessandra Leite

Há muitos mirantes para os visitantes contemplarem a imensidão do cânion ao máximo. Eles podem ser acessados a pé ou por ônibus. Somente fora da alta temporada é permitido ir de carro.

No inverno, o número de turistas cai drasticamente e, desta forma, tivemos a sorte de explorar as vistas panorâmicas a partir destes locais em diferentes horas do dia praticamente sozinhos. Era só estacionar o motorhome e pronto, uma vista privativa. Nos despedimos com uma das experiências mais emocionantes, um voo de helicóptero pela imensidão do Grand Canyon.

Me despedindo do incrível Grand Canyon Foto: Alessandra Leite

Me despedindo do incrível Grand Canyon
Foto: Alessandra Leite

Sobrevoando o Grand Canyon Foto: Alessandra Leite

Sobrevoando o Grand Canyon
Foto: Alessandra Leite

A caminho do nosso último destino, Las Vegas, optamos seguir pela histórica Rota 66 ao invés da Interstate 40. Um dos trechos mais longos e ininterruptos da estrada, que começa na cidade de Seligman e termina em Kingman.

Trechos da Rota 66 Foto: Alessandra Leite

Trechos da Rota 66
Foto: Alessandra Leite

Os automóveis antigos, as lojas de artigos retrôs e os diners (típicos restaurantes americanos) fazem parte do cenário ao longo do caminho, proporcionando uma viagem ainda mais nostálgica. Era como se tivéssemos sido transportados para algum filme do passado. Outras cidades do Arizona onde há partes bem conservadas da Rota 66 são Flagstaff e Williams.

Trechos da Rota 66 Foto: Alessandra Leite

Trechos da Rota 66
Foto: Alessandra Leite

Trechos da Rota 66 Foto: Alessandra Leite

Trechos da Rota 66
Foto: Alessandra Leite

Trechos da Rota 66 Foto: Alessandra Leite

Trechos da Rota 66
Foto: Alessandra Leite

Trechos da Rota 66 Foto: Alessandra Leite

Trechos da Rota 66
Foto: Alessandra Leite

Cruise America

A empresa oferece 4 modelos de motorhome: C19 (compact), C25 (standard), C28 (intermediate) e C 30 (large), que comportam 3, 5, 6 e 7 passageiros, respectivamente. No RV há um painel de controle da carga da bateria, do consumo do gerador, do reservatório de esgoto e de água para ser consumida, além do gás propano, que é responsável pela calefação, aquecimento da água, funcionamento da geladeira e do fogão. Diariamente há necessidade de verificar os níveis de todos estes itens.

Com uma frota de mais de 4.000 veículos, a Cruise America possui 122 pontos de locações de RV na America do Norte (EUA e Canada). Para alugar um motorhome, os brasileiros devem procurar as operadoras locais credenciadas. No site da empresa, os valores do aluguel são para o mercado doméstico norte-americano.

Alessandra Leite é diretora da hotelnews, a principal revista de hotelaria e gastronomia do Brasil. Viaja pelo país e pelo mundo para visitar os hotéis mais bacanas e descolados.