Turismo pós-pandemia covid-19

Estamos em meio à crise da pandemia do novo coronavírus, o covid-19.

Cerca de metade do mundo hoje está em lockdown ou em isolamento social. Não se espera que tudo volte ao normal do dia pra noite e, sim, que estabelecimentos e depois os territórios se abram pouco a pouco.

Os primeiros viajantes devem viajar a trabalho, até que haja a retomada do lazer. Fizemos uma enquete no nosso Instagram – aliás, se você não segue ainda, aproveita para nos acompanhar @magariblu – e cerca de 85% responderam que tiveram uma viagem adiada ou cancelada por causa do covid-19.

Depois da pandemia, viagens pelo Brasil são uma forte tendência. Um terreno seguro (ou ao menos, assim será daqui alguns meses), sem necessidade de voos transatlânticos e longos. Será a hora de conhecer roteiros fora do óbvio e hotéis boutique pelo nosso país.

Falando sobre viagens em geral, exigências mais restritas com relação à saúde e à imunidade ao vírus devem ser tomadas pelos países, tanto na emissão de vistos quanto na imigração nos aeroportos. Inclusive testes rápidos do coronavírus nos aeroportos devem acontecer em todo mundo.

Os viajantes exigirão das companhias aéreas menos gente por perto. O layout das aeronaves deve mudar para abrigar menos passageiros. Aviões gigantes como o A380 talvez estejam com os dias contados – veja aqui meu vídeo sobre a minha experiência no maior avião do mundo.

Quem pode pagar, irá preferir fretar aviões de pequeno porte para uso privativo, ou fretados para grupos de clientes de hotéis e de agências. Menos gente por perto enclausurada numa aeronave deve ser um desejo geral. Mas não será barato.

A máscara veio para ficar no mundo ocidental. Praticamente todo viajante usará máscara nos voos, nos aeroportos e até em determinados locais. O que parecia impensável para nós um mês atrás agora é uma realidade e não acredito que temporária.

Não me assustaria se for regra geral limitar o número de pessoas para visitas culturais ou de natureza, como já acontece em alguns destinos, ou, ainda, que a etiqueta de 1 metro de distância em filas, como vimos no início do contágio na Itália, permaneça em atrações turísticas pelo mundo.

 

Cada epidemia que atinge a humanidade, além de números devastadores, trazem também novos hábitos, sobretudo de higiene. Num mundo pós covid-19, espera-se que os critérios de higiene e limpeza sejam elevados. Os hotéis, principalmente de luxo, já seguem determinados ritos, que devem ser reforçados mais ainda. E hospedagens como albergues podem sofrer num mundo em que compartilhar algo com desconhecidos pode incomodar mais.

O aluguel de casas e villas, assim como de apartamentos, talvez tenha que passar por um crivo mais exigente e uniformizado para atender aos clientes. Altos padrões de higiene devem ser usados de maneira obrigatória em locações por temporada, assim como em serviços turísticos em geral, como transfers, tours, e por aí vai.

Estações de álcool gel pelos corredores e toalhinhas descartáveis para abrir maçanetas sem encostar a mão já são velhos conhecidos de algumas companhias de cruzeiro. Imagino que, daqui pra frente, hotéis também adotem medidas assim, bem como tecnologias que não exijam o toque a fim de evitar contato em superfícies em quartos de hotel, como em maçanetas, interruptores e controles de tv e ar condicionado.

Acreditamos que lugares remotos, isolados, serão a bola da vez. Destinos sem aglomerações, onde menos é mais, com conexão com a natureza e o ar livre, estão no topo da mente das pessoas que estão confinadas em seus apartamentos sonhando com uma escapada. Confira o vídeo sobre os 3 destinos mais isolados que já visitei para servir de inspiração para uma próxima viagem, quando tudo isso passar.

Viagens com propósito também terão mais espaço num mundo pós-corona. Um turismo mais consciente, mais preocupado com a preservação da natureza, da cultura e da espiritualidade. A quarentena fez com que as pessoas tirassem um pouco o olhar de si e passassem a se preocupar, a enxergar o outro. Assim também deve ser nas viagens.

O mundo literalmente respirou melhor depois do lockdown. Golfinhos apareceram em Veneza, quem diria… Acreditamos que, quando tudo isso passar, gradativamente teremos uma maior consciência dos viajantes e uma maior preocupação do impacto da sua viagem no planeta e nas comunidades pelo mundo. Já estava na hora!

Ousaria até dizer que o turismo ostentação nas redes sociais, onde ganha mais likes o post super produção, deve perder força depois de uma pandemia que não afeta só nossa liberdade de ir e vir e viajar, mas, também, os bolsos e a saúde das pessoas e das suas famílias. Não será de bom tom postar luxo exacerbado. Aliás, agora já não é.

Ainda, num mundo pós-pandemia, tão importante quanto a máscara, será um bom seguro-viagem. Nós sempre incentivamos a sua contratação e eu já contei também como foi a minha experiência pessoal no IGTV da @magariblu. Não viajo nunca sem e agora acredito que ninguém mais vai querer arriscar. Talvez as condições de contratação de seguro fiquem mais restritas também por parte das seguradoras.

Na quarentena, muita gente descobriu ferramentas on-line que antes não utilizava, como aplicativos de videoconferência e lives de mídias sociais. No turismo, apostamos que experiências de “viajar sem sair de casa” por meio de visitas e tours virtuais crescerão, para aqueles que ainda não se sentem prontos para viajar ou que tiveram seus bolsos impactados e devem adiar os planos de férias. É uma forma interessante de conhecer algo novo, que, ainda que não seja igual à visita presencial, dá um gostinho e conhecimento ao viajante e o incentiva ainda a visitar pessoalmente quando possível.

Por fim, mas não menos importante, apesar de ser uma crise sem precedentes para o turismo, o papel do consultor de viagens ganhou evidência e confiança neste momento. O trabalho foi valorizado por clientes que reservaram com agência e foram reacomodados ou que tiveram o cancelamento efetuado sem maiores dores de cabeça. Aqueles que compraram direto ou on-line nitidamente tiveram muito mais dificuldade para ter as devidas providências, com esperas infindáveis em call centers, desafios na repatriação e soluções nem sempre satisfatórias.

Agora, num mundo pós corona, a função do consultor de viagens deve vir ainda mais fortalecida. As viagens tendem a ser cada vez melhor planejadas e pensadas mesmo e a curadoria e a consultoria de um expert é de grande valia. 9Sem falar na relação de confiança entre cliente e agente e na humanização do atendimento e no emergencial, que é bem diferente do que se encontra nas ferramentas de reservas on-line.

Essas são algumas tendências do que esperamos para o turismo pós-pandemia. Como você acha que será viajar quando tudo isso passar? Escreva as suas ideias aqui nos comentários. Não esquece de dar um like e compartilhar com quem está sonhando com um mundo sem fronteiras de novo para viajar!

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Ana Maria Junqueira é a idealizadora do blog Magari Blu e fundadora da premiada agência de viagens Magari Blu Viagens. Escreve sobre viagens, faz a curadoria de todo o conteúdo que você vê por aqui e organiza roteiros personalizados e reservas.