Ruinenberg, o “morro das ruínas” em Potsdam

Dicas de Berlim por Laura Ammann

Ruinenberg quer dizer, em tradução aproximada, morro das ruínas. Há um lugar com esse nome em Potsdam, cidadezinha próxima a Berlim.

Em meio à busca por um passado bucólico e glorioso, manifestada na arte através do neoclassicismo e do romantismo, virou moda na Europa dos séculos 18 e 19, a construção de ruínas artificiais. A aristocracia gostava de decorar seus vastos jardins com elementos arquitetônicos que simulavam o período clássico. Entre um palácio e outro, botava por vezes uma fonte, um coreto, uma gloriette ou outro anexo de jardim e reproduzia, assim, em realidade tridimensional as pinturas pastoris neoclássicas.

Vista para Ruinenberg, o “morro das ruínas”, em Potsdam (zona C de Berlim)
Foto: Laura Ammann

Embora todos soubessem se tratar de uma construção contemporânea da última moda, às vezes essas estruturas recebiam até um nome fantasioso, como é o caso da “ruína romana” no Schloss Schönbrunn, em Viena. Ironicamente, uma falsa ruína do século 18 é para nós, hoje, uma ruína sincera.

Vista para Ruinenberg, o “morro das ruínas”, em Potsdam (zona C de Berlim)
Foto: Laura Ammann

Em Potsdam, oposto aos fundos do Schloss Sanssouci, encontra-se um conjunto de ruínas artificiais construídas no século 18. Em 1748 Frederico II da Prússia mandou construir no local um reservatório de água e, para circundá-lo, um coreto, um portal e o suposto resto do que teria sido uma parede de teatro. Cerca de um século mais tarde, sob Frederico Guilherme IV, o projeto paisagístico foi aprimorado e a ruína artificial de uma torre foi adicionada ao conjunto. Chamada de “torre normanda”, ela é a única referência à arquitetura medieval.

A artificial parede de teatro clássica (Theaterwand) e a torre normanda, acrescida ao complexo posteriormente
Foto: Laura Ammann

As “falsas ruínas”, que no século 20 já eram “ruínas de verdade”, foram fortemente bombardeadas durante a Segunda Guerra e passaram por uma grande e fiel reconstrução. Parece então uma confusão de termos, mas é verdade: as “ruínas greco-romanas clássicas do século 18 e 19” datam, na verdade, do século 20.

As ruínas artificiais do coreto e portal clássico. Interessante notar que os tijolinhos à vista revelam a forma moderna de construção. O revestimento das colunas do portal, no entanto, simulam os grandes blocos de pedra usados pelos gregos na Antiguidade
Foto: Laura Ammann

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Especialista em Museologia e Curadoria, Laura Ammann é mestranda em História da Arte pela Universidade Humboldt e co-criadora do projeto Arte Conceituando. Laura é de São Paulo, mora em Berlim, onde criou o ARTSY travellers, que realiza passeios guiados em museus. Ela traz as suas dicas de Berlim no Magari Blu.