Roteiro das vinícolas na Serra Gaúcha

A Serra Gaúcha é uma região belíssima e um excelente destino para quem gosta de vinhos, friozinho e belas paisagens. É como se fosse uma colcha de retalhos, dominada por cerca de mil famílias, que vivem da vitivinicultura em pequenas propriedades. A produção de vinhos na região corresponde a 90% do país, e foi aqui que surgiu a primeira Indicação Geográfica do Brasil, mais especificamente no Vale dos Vinhedos.

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Uvinha nascendo na videira
Foto: Divulgação/Gilmar Gomes

O Vale dos Vinhedos é uma belíssima estrada tomada por parreiras em ambos os lados, onde estão localizadas renomadas vinícolas. As inovações tecnológicas que surgiram na produção de vinhos nos últimos dez anos impressionam. Novas técnicas de acondicionamento, fermentação, engarrafamento e envelhecimento deixam as cantinas gaúchas no mesmo patamar de qualquer outro grande produtor do planeta.

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Vale dos Vinhedos e o Hotel & Spa do Vinho Caudalie ao fundo
(mais informações sobre o hotel no final desta matéria)
Foto: magari blu

Percebo que o costume do vinho vem aumentando no país. Antigamente a gente chamava um amigo para “tomar um cafezinho”. Hoje quantas são as vezes que combinamos de “tomar um vinho”. Mas há ainda um mercado enorme para crescimento, inclusive do vinho brasileiro.

Os vinhos do Brasil começaram sendo produzidos como vinhos de mesa. Hoje, a cultura já mudou e a produção de vinhos finos cresceu exponencialmente. E qualitativamente também. Quem não conhece ainda os nossos vinhos, acredite: vale a pena conhecê-los.

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Excelentes rótulos de brancos e rosés
Foto: Divulgação/Gilmar Gomes

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Tintos e brancos que merecem a atenção do enófilo brasileiro
Foto: Divulgação/Gilmar Gomes

 *Vinícolas:

Não sou expert no assunto, mas depois de passar cerca de uma semana degustando algo em torno de uma centena de rótulos de vinhos do Brasil, indico aqui um roteiro especial pelas vinícolas da Serra Gaúcha. O melhor é que para visitas simples (sem almoço ou jantar), basta chegar e sempre tem alguém para atendê-lo, mostrar a vinícola e ainda apresentar vinhos para degustação.

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Vinícola Dal Pizzol
Foto: Divulgação/Gilmar Gomes

– Luiz Argenta

A vinícola Luiz Argenta está em Flores da Cunha. Ali foi a primeira plantação de uvas no Rio Grande do Sul! Ela impressiona pela mistura de belos pés de uvas que cercam o lago, com a moderna cantina (as instalações da vinícola), que segue traçados modernos. O telhado imita as ondulações das colinas e é um visual bem diferente.

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Vinícola Luiz Argenta
Foto: magari blu

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As instalações da produção de vinho da vinícola Luiz Argenta
Foto: magari blu

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A linha LA Jovem com garrafas design
Foto: magari blu

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Degustação de brancos e rosés
Foto: magari blu

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Vinhos Luiz Argenta na degustação:
atenção para as lindas garrafas gêmeas à esquerda
Foto: Divulgação/Gilmar Gomes

– Miolo

É a maior produtora de vinhos finos do Brasil. Tem a sede no Vale dos Vinhedos, além de produções na Campanha Gaúcha. O primeiro vinho produzido, em 1990, foi Merlot. Hoje, a vinícola é de propriedade das famílias Miolo, Benedetti, Randon e Galvão Bueno (sim, do próprio Galvão!).

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A produção de vinho na Miolo
Foto: magari blu

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Laboratório da Miolo
Foto: magari blu

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Degustação de vinhos na Miolo
Foto: magari blu

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Os vinhos Reserva degustados
Foto: magari blu

– Dal Pizzol

A Dal Pizzol é chamada até de parque temático. É um complexo enorme, que abriga museu da cultura do vinho e o chamado “vinhedo do mundo”, com uvas de diversas partes do globo. Grupos podem reservar almoço no restaurante da vinícola, que é super agradável.

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Museu da cultura do vinho na Dal Pizzol
Foto: magari blu

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Vinhedo do mundo da Dal Pizzol:
pés de uva de diversas localidades do planeta
Foto: Divulgação/Gilmar Gomes

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Vinícola Dal Pizzol
Foto: Divulgação/Gilmar Gomes

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Almoço na vinícola Dal Pizzol
Foto: magari blu

– Perini

Localizada no Vale Trentino, em Farroupilha, a Casa Perini produz vinhos finos, de mesa e suco de uva. Lá degustamos o mosto, antes da fermentação, da filtragem e do engarrafamento do vinho. E quer saber? Estava uma delícia!

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Vinícola Perini
Foto: magari blu

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O mosto servido antes da fermentação e filtragem, direto do tanque
Foto: magari blu

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Degustação de vinhos Perini
Foto: magari blu

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Os vinhos Perini degustados na visita
Foto: Divulgação/Gilmar Gomes

– Aurora

A Aurora fica no centro de Bento Gonçalves, no meio da cidade! São 1.100 associados reunidos, que fazem da vinícola a maior do Brasil. Investiram muito em tecnologia, mas alguns tanques de madeira são mantidos para não perder o charme.

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Os tanques de madeira da Vinícola Aurora
Foto: magari blu

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Degustação de vinhos na visita à Aurora
Foto: Divulgação/Gilmar Gomes

O Centro Tecnológico da Aurora fica em Pinto Bandeira e, infelizmente, não recebem turistas para visita. Uma pena, pois foi um dos locais mais belos por onde passei na Serra Gaúcha!

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Piquenique servido no Campo Tecnológico da Aurora: lindo!
Foto: magari blu

– Casa Valduga

O complexo da Casa Valduga é belíssimo. São 3 restaurantes e 5 pousadas, na propriedade de uma das mais reconhecidas vinícolas do país. Recebem 250.000 visitantes por ano, no que foi o primeiro projeto de enoturismo do Brasil. Vale a pena conhecer a maior cave de vinhos da América Latina e jantar por lá – e também ficar hospedado!

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Barricas da Casa Valduga
Foto: magari blu

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Vinho tinto feito em homenagem ao pai dos 3 irmãos proprietários da vinícola:
provado em primeira mão pelo Magari blu!
Foto: magari blu

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Degustação de brancos e espumantes na Casa Valduga
Foto: magari blu

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Mais vinhos degustados na Casa Valduga
Foto: Divulgação/Gilmar Gomes

– Outras vinícolas: 

Valem a pena a visita: Almaúnica, pequena, charmosa e moderna; Lidio Carraro, que desenvolveu Faces, o vinho oficial da Copa do Mundo FIFA 2014; e Larentis, que proporciona piqueniques em meio às videiras e colheitas à noite na época da vindima.

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Faces: o vinho oficial da Copa 2014
Foto: magari blu

*Outros passeios:

Caminhos de Pedra:

Uma estrada cheia de histórias para contar e que vale muito a visita. São um charme os Caminhos de Pedras, além de ser uma volta no tempo da chegada dos imigrantes italianos à região.

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A árvore conhecida como Maria-Mole, tem as raízes altas
que formam um buraco, onde os imigrantes italianos acampavam
na época em que construíam as suas casas na região, em 1875
Foto: magari blu

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A casa onde foi filmado “O Quatrilho”, na vinícola Strapazzon.
Realmente parece cenário de filme!
Foto: magari blu

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A Casa do Mate é o local onde estão expostos utensílios antigos da produção da erva-mate
Foto: magari blu

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Chimarrão é feito na hora para os turistas provarem a iguaria gaúcha
Foto: magari blu

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A Casa da Ovelha, além de oferecer produtos locais feitos de leite de ovelha,
é um exemplo da arquitetura típica, com pedras e madeira
Foto: magari blu

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Outro exemplo da arquitetura local da época do imigrante é a Casa do Tomate,
feita de pedras e alvenaria. É onde se encontram diversos produtos feitos com tomates
Foto: magari blu

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Pertinho da Casa do Tomate, está a casa e ateliê a céu aberto do artista Bezbatti,
que faz esculturas superinteressantes em basalto.
Mas aviso aos navegantes: ele não é muito chegado a visitas…
Foto: magari blu

– Avaliação Nacional de Vinhos:

Em setembro, acontece a Avaliação Nacional de Vinhos, maior evento do segmento do país, que reúne uma mesa examinadora de 16 experts e mais 850 convidados que degustam e dão notas aos melhores vinhos da safra nacional. Participei como degustadora e digo que é uma experiência única e que vale muito a pena!

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Os requisitos a serem preenchidos com notas na Avaliação Nacional do Vinho
Foto: magari blu

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O pavilhão lota com 850 pessoas lideradas pelos 16 jurados
que provam as melhores amostras da safra do ano
Foto: Divulgação/Gilmar Gomes

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Os jurados da Avaliação Nacional de Vinhos 2013
Foto: Divulgação/Gilmar Gomes

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Os estudantes entram enfileirados pelo corredor para servir os vinhos
Foto: Divulgação/Gilmar Gomes

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Cada amostra é servida ao mesmo tempo para os quase 1000 participantes
Foto: magari blu

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O certificado de degustador: nota dez para a organização do evento
Foto: magari blu

*Onde comer?

Os restaurantes Primo Camilo, em Garibaldi; Vila Rústica, no Vale dos Vinhedos; e Sapori e Piacere, em Bento Gonçalves, são super bem recomendados, mas infelizmente não houve tempo para conhecê-los.

Se você estiver em um grupo, é possível agendar almoço em vinícolas como Dal Pizzol e Perini, que são experiências bem agradáveis. Na Casa Valduga, não é necessário estar em mais pessoas para almoço ou jantar, e a comida é excelente.

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O delicioso jantar no restaurante da Casa Valduga
Foto: magari blu

Vale ainda almoçar na Escola de Gastronomia da UCS – ICIF, em Flores da Cunha. O almoço deve ser reservado previamente, e uma boa dica é aproveitar a visita a Luiz Argenta para esticar por lá antes ou depois, pois fica a cerca de 20 minutos da vinícola.

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Caponata com batata, berinjela e tomate
Foto: magari blu

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Spaghetti alla chitarra com cordeiro
Foto: magari blu

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Flagra da cozinha da Escola de Gastronomia
Foto: magari blu

*Onde ficar?

– Hotel e Spa do Vinho Caudalie

No meio do Vale dos Vinhedos, o hotel faz parte da rede Meriott e está localizado bem em frente à vinícola Miolo. O Hotel & Spa do Vinho é uma ótima opção de hospedagem na região, com quartos amplos e o Spa que leva o selo da Caudalie.

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Hotel & Spa do Vinho Caudalie
Foto: Divulgação/Gilmar Gomes

Os produtos utilizados nos tratamentos corporais do Spa são todos derivados da uva, ricos em polifenóis e ótimos para fazer um detox na pele. No complexo, há ainda sauna úmida e caminho de pedra imitando correnteza do rio, para relaxar os pés, além de piscina aquecida com uma bela vista!

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A piscina aquecida do Spa Caudalie
Foto: magari blu

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A bela vista do Spa Caudalie
Foto: magari blu

O hotel conta com 2 restaurantes e uma adega com 600 rótulos de todo o mundo, onde podem ser organizadas degustações temáticas.

*O que levar?

Faz frio boa parte do ano na região da Serra Gaúcha, portanto, dependendo da estação em que ocorrer a viagem, casacos pesados não podem faltar na mala.

Sapatos confortáveis também fazem parte do repertório, para maior comodidade na visita às vinícolas. E, mesmo no frio, em alguns locais você pode precisar de repelente (também no inverno). Não se esqueça de máquina fotográfica e bloquinho ou tablet para anotar tudo que se aprende por lá. Cada visita é uma bela aula!

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Foto da foto: clicando e anotando tudo sobre os vinhos brasileiros
Foto: Divulgação/Gilmar Gomes

*Como degustar tantos vinhos e não se embriagar?

É fato. Dá vontade mesmo de beber de verdade todos os vinhos, seja na Serra Gaúcha ou em qualquer outro destino desse tipo pelo mundo, ainda mais quem curte tomar uma taça – ou duas, ou três. Vez ou outra, dá até para se soltar e curtir a bebida servida. Entretanto, se a ideia é participar de diversas degustações, repletas de diferentes rótulos (inclusive na Avaliação Nacional de Vinhos, que são 16 amostras seguidas), faça como os profissionais: use sem dó e sem cerimônia o baldinho que está sempre à sua frente nas degustações. Não ingira todo gole de vinho e cuspa o resto… Para novatos na área, é algo um pouco asqueroso, mas faz parte do ritual de degustação e impede que você (ou melhor, só você) fique embriagado.

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Aqui sou eu na degustação da Avaliação Nacional de Vinhos.
Reparem nos nossos baldinhos!
Foto: Divulgação/Gilmar Gomes

*Podemos levar vinhos para casa?

É praticamente impossível retornar da Serra Gaúcha sem pelo menos uma garrafa de vinho na bagagem. Em voos domésticos, é possível levar garrafas e taças na mala de mão. Já na bagagem despachada, é imprescindível que as garrafas sejam bem embaladas para evitar que se quebrem. Envolver com jornal, plástico-bolha e/ou as próprias roupas protege bastante.

Algumas companhias aéreas têm exigido que as malas sejam embaladas no aeroporto antes de despachá-las. De fato, é um cuidado a mais para evitar um acidente que estrague todas as suas roupas (e ainda obrigue a companhia ao pagamento de indenização). Mas no aeroporto de Porto Alegre embalar a mala não sai por menos de R$ 35,00! Foi uma exigência da Gol e eu o fiz. É caro, é chato que a companhia exija e o cliente que tenha que arcar com o pagamento. Mas, no final, vale pela segurança de que suas garrafas e suas roupas chegarão sãs e salvas em casa.

*Agradecimento especial ao IBRAVIN, por proporcionar uma deliciosa semana na Serra Gaúcha, e aos proprietários e enólogos das vinícolas visitadas e aqui recomendadas, que nos receberam com tanta atenção e carinho.

**Leia mais aqui: crônica “Paixão na Serra Gaúcha”.

Ana Maria Junqueira está sempre viajando pelo mundo. É editora do Magari blu, consultora em viagens e a embaixadora de viagens da Perrier no Brasil.