Roberto Burle Marx em Berlim

Dicas de Berlim por Laura Ammann

Uma notícia boa para os brasileiros em Berlim, sejam eles residentes ou turistas: a Deutsche Bank Kunsthalle, espaço cultural do banco alemão, está com uma exposição em cartaz dedicada ao brasileiro Roberto Burle Marx.

Um homem de muitas atividades, conhecido no Brasil especialmente por seus projetos paisagísticos, Burle Marx decidiu ser artista em Berlim. Em 1928 veio à capital alemã com os pais e passou por uma fase de desenvolvimento artístico em meio à atmosfera moderna que envolvia a cidade.

Uma das pinturas tardias de Roberto Burle Marx
Foto: Laura Ammann

A exposição dá grande enfoque à polivalência de Burle Marx. Expostos estão suas pinturas, alguns desenhos de joias, figurinos de balé e projetos urbanos para diversas cidades brasileiras e para Berlim (que infelizmente não chegaram a ser realizados). Complementam a mostra também poucas obras de outros artistas como, por exemplo, Beatriz Milhazes.

Overview da exposição
Foto: Laura Ammann

A instituição define Burle Marx como um “renascentista do século 20”. Suas atividades como pintor, escultor e cenógrafo, a realização de cerca de 2 mil projetos paisagistas e sua contribuição para a descoberta de quase 50 novas espécies de plantas justificam o termo ousado.

Um dos projetos urbanos de Burle Marx, expostos na mostra
Foto: Laura Ammann

Burle Marx também era colecionador. Além de possuir a maior coleção do mundo de plantas tropicais, reunindo mais de 3.500 espécies, colecionava também pinturas em vidro, arte sacra e pré-colombiana. Uma natureza-morta de sua autoria, em exibição na mostra, é um agradável hiato em meio às pinturas de vasos europeus: uma strelitzia desperta o olhar saudoso do brasileiro.

Desenho para o jardim de Walter Moreira Salles, hoje Instituto Moreira Salles, no Rio de Janeiro (1951)
Foto: Laura Ammann

Especialmente os projetos de jardins que a exposição apresenta fazem muito mais sentido para quem conhece o Brasil. Ver o desenho do Instituto Moreira Salles, no Rio de Janeiro, ou do Parque Burle Marx, em São Paulo, tem outro gosto para nós.

Sugestão de figurino para o balé Petruschka (1954)
Foto: Laura Ammann

A mostra “Tropische Moderne/Brazilian modernist” é um cantinho do Brasil em Berlim. Pequena, charmosa, dedicada. Além disso, o site da instituição, excepcionalmente prestativo ao público, oferece informações adicionais sobre a mostra e o artista, e divulga também os horários dos passeios guiados com a curadora Claudia J. Nahson, uma oportunidade sempre apropriada.

Projeto de jardim e relevo para a residência de Francisco Pignatari, hoje Parque Burle Marx, em São Paulo (1956)
Foto: Laura Ammann

A Deutsche Bank Kunsthalle cita Burle Marx orgulhosamente: “Detesto a deia de um paisagista que só sabe de plantas; ele também deve entender o que é um Piero dela Francesca, o que constitui um Miró, um Michelangelo, um Picasso, um Braque, um Léger.” Até 3 de outubro de 2017 todos poderão conferir esse olhar estrangeiro sobre o que o Brasil tem de melhor a exportar.

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Formada em Produção Editorial e especialista em Museologia e Curadoria, Laura Ammann é co-fundadora do projeto Arte Conceituando, que publica entrevistas sobre arte, e é mestranda em História da Arte pela Universidade Humboldt. Laura é de São Paulo, mora em Berlim e traz as suas dicas no Magari Blu.