Que tipo de viajante você é?

A organização de um roteiro de viagem vai muito mais além do que hotel e aéreo. É o tempo destinado para pensar em cada detalhe da aventura que está por vir, a programação diária, os pontos turísticos imperdíveis, os restaurantes estrelados. Trabalhando na área, noto que as pessoas são bem diferentes nesse aspecto.

Tem o tipo que gosta de embarcar com tudo organizado, sem nenhuma brecha para fazer o que der na telha, com a segurança de que a chance de cair em uma furada reduz bruscamente quando se tem um itinerário bem planejado.

Quem tem esse perfil não desgruda do roteiro day by day, já tem os traslados pré-agendados e os restaurantes todos reservados bem antes da viagem. Ele não deixa de visitar nenhum ponto turístico e volta sem aquela sensação de que deixou de ver algo. Parece que ele viu tudo e está exausto. Precisa de férias das férias.

Tem também aquele camarada que não é desencanado ao ponto de chegar numa cidade sem hotel, mas deixa a programação livre, leve e solta, sem hora para acordar e pronto para se jogar pelas ruas descobrindo a cidade por conta. Ele gosta de conforto, pesquisou bem onde ficar, mas acaba encontrando alguns probleminhas na viagem, como bater o nariz na porta de um museu que não abre no dia em que está na cidade ou ficar de fora de um restaurante disputado que tem meses de espera.

Tem ainda quem só compre a passagem, com uma mochila nas costas, sabe-se lá onde vai dormir hoje – quiçá amanhã! A viagem toda se torna uma aventura. Esse cara não deve ter mais que vinte e pouquinhos anos, pois com o passar do tempo a beleza de não se programar, ao menos o mínimo, transforma-se em preocupações e uma mala de mais de 30kg – que não dá para carregar nos ombros!

Eu sou um mix de tudo isso. A minha profissão exige que eu não perca o imperdível. Não posso ir a Cape Town e não subir na Table Mountain ou não garantir uma mesa no Test Kitchen, por exemplo. É necessário aproveitar o tempo no destino da melhor maneira possível, conhecendo os must go para passar a experiência depois para leitores e clientes. Não basta só o hotel em que estou hospedada, preciso conhecer seus concorrentes, marcando site inspections até na minha própria lua de mel. A gente tem que saber tudo de tudo do mundo todo! E tem quem ache que trabalhar com viagem é moleza… 🙂

Mas apesar de ter de ser bem planejada, tenho dentro de mim o espírito desbravador. Adoro não ter hora para acordar (e nem para dormir) e não ter planos para o almoço. Caminhar, arriscar, virar à direita ali e descobrir um restaurantezinho simpático, frequentado por locais, que oferece o que a região tem de mais fresquinho.

A beleza de um destino vai muito além do sightseeing, de subir na Torre Eiffel ou ver o Papa no Vaticano. Que fique claro que não perco esses programas por nada, mas da mesma forma não perco a oportunidade de descobrir sozinha segredos que estão bem distantes dos guias e dos roteiros amarrados.

O prazer de desvendar novos lugares e de se sentir como um local é a grande beleza de viajar. Não tem graça nenhuma ver tudo aquilo sem se sentir parte do todo. São em momentos despretensiosos que aprendemos e enriquecemos nosso repertório do mundo.

Se eu puder dar uma dica para vocês na hora de planejar e vivenciar uma viagem seria essa: o melhor dos mundos é poder reservar tudo sem taxa de cancelamento! E deixar fluir. Assim, a gente não perde o imperdível e nem o inesperado!

Ana Maria Junqueira - Table Mountain

Eu no topo da Table Mountain em Cape Town:
Passeio imperdível, porém não planejável –
O melhor é comprar o ingresso no dia para subir se o tempo estiver aberto
Foto: magari blu

E você, que tipo de viajante é? Deixe seu comentário!

Ana Maria Junqueira está sempre viajando pelo mundo. É editora do Magari blu, consultora em viagens e a embaixadora de viagens da Perrier no Brasil.