Portão de Brandemburgo em Berlim

12/08/2016

Dicas de Berlim por Laura Ammann

Difícil pensar em Berlim sem lembrar do Portão de Brandemburgo. O Brandenburger Tor, como é chamado em alemão, completou na semana passada, em 5 de agosto, 225 anos. E por isso, essa coluna será comemorativa, sem perder a pitada histórica habitual.

Portão de Brandemburgo Foto: Laura Amman

Portão de Brandemburgo
Foto: Laura Amman

O Brandenburger Tor não só fica no coração de Berlim como ajuda a defini-lo. Perto de outras atrações importantes, como a Potsdamer Platz, o Checkpoint Charlie e o Reichstag (o Parlamento), o portão é um dos cartões postais mais importantes da cidade. Ele fica em uma das pontas da importante avenida Unter den Linden e é ligado ao Siegessäule (Torre da Vitória) por outra grande via, atravessando longitudinalmente o famoso parque Tiergarten.

Portão de Brandemburgo Foto: Laura Amman

Portão de Brandemburgo
Foto: Laura Amman

Como não poderia ser diferente, esse ar turístico e festivo cobre muitas camadas de história. O Brandenburger Tor era originalmente o nome dado a um dos 18 portões que cercavam a então pequena e pouco desenvolvida Berlim do século 17. O novo Portão de Brandemburgo foi construído entre 1788 e 1791, comissionado pelo então rei Frederico Guilherme II da Prússia. Construído em nome de uma política pacífica, o portão recebeu incialmente o título de Friedenstor, ou seja, o portão da paz.

O arquiteto Carl Gotthard Langhans foi responsável pelo desenho do monumento, inspirado na entrada da Acrópoles, em Atenas. Não por acaso, o Brandenburger Tor é um dos exemplos mais vistosos da arquitetura neoclássica em Berlim. No entanto, o símbolo de paz prussiano ficou famoso no começo do século 19 pela derrota prussiana frente ao exército de Napoleão na Batalha de Jena-Auerstedt. Com isso, Napoleão foi o primeiro a usar o Portão de Brandemburgo para um “desfile comemorativo”, sendo também responsável por retirar do portão sua quadriga (como é chamado o conjunto de cavalos e carruagem postos sobre o arco) e levá-la a Paris.

Portão de Brandemburgo Foto: Laura Amman

Portão de Brandemburgo
Foto: Laura Amman

Em 1814, entretanto, com a queda de Napoleão, a quadriga pôde ser redesenhada e o escolhido para esse projeto foi o arquiteto prussiano Karl Friedrich Schinkel (que desenhou também o memorial Neue Wache, da coluna passada).
De 1814 a 1919 somente a família real podia passar sob o Brandenburger Tor. As carruagens dos embaixadores também tinham sua passagem permitida, embora somente em certas circunstâncias e necessariamente pelo arco central do portão.

Com o avanço do século 20 e a Segunda Guerra, o portão sofreu grandes estragos, sendo reconstruído através de esforços tanto do governo ocidental quanto oriental. Esses esforços conjuntos ocorreram antes da construção do muro, que dividiu Berlim durante 28 anos e deixou o Portão de Brandemburgo do lado oriental da cidade.
Depois de 1989 a região do Brandenburger Tor começou a se tornar o que é hoje. Em dezembro daquele ano, o chanceler da Alemanha Ocidental, Helmut Kohl, e o primeiro ministro da Alemanha Oriental, Hans Modrow, se encontraram no portão para simbolizar a reunificação.

Portão de Brandemburgo Foto: Laura Amman

Portão de Brandemburgo
Foto: Laura Amman

Hoje, o Brandenburger Tor é um local de encontro de turistas e residentes de Berlim e expõe uma mistura heterogênea entre lazer e trabalho. A área é marcada também pela grande quantidade de embaixadas que a rodeiam e é frequentemente ponto de homenagens e manifestações políticas: flores enfeitam a rua em solidariedade a outras nações em tempos difíceis. Os passantes, a pé, dominam o espaço como um calçadão, sem se preocupar com o trânsito, mas com as fotos. Principalmente à noite, limusines brancas e pretas disputam público com as charretes puxadas a cavalo. Hoje, o Brandenburger Tor continua sendo um portão de entrada para a cidade, mas, dessa vez, aberto a todos.

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Formada em Produção Editorial e especialista em Museologia e Curadoria, Laura Ammann é co-fundadora do projeto Arte Conceituando, que publica entrevistas sobre arte. Laura é de São Paulo, mora em Berlim e traz as suas dicas no Magari Blu.