Pierre-Boulez-Saal, a nova sala de concertos de Berlim

Dicas de Berlim por Laura Ammann

Berlim tem uma nova sala de concertos. Batizada em homenagem a um dos principais compositores surgidos na Europa do pós-guerra, a Pierre-Boulez-Saal faz parte da academia de música Berliner Barenboim-Said-Akademie.

Hall de entrada da Berliner Barenboim-Said-Akademie
Foto: Reprodução / ArchDaily

A construção da academia, iniciada em maio de 2014 no prédio do antigo depósito da Opera Estatal (Staatsoper), chegou a custar 32 milhões de euros e está aberta ao público e aos músicos desde março do ano passado. Seu nome remete a duas personalidades importantes do século passado, o regente e pianista Daniel Barenboim e o intelectual palestino-americano Edward Said. Juntos eles fundaram a West-Eastern Divan Orchestra, orquestra formada por músicos árabes e israelenses – não só uma referência a um conflito político, mas também às biografias e à amizade de Barenboim e Said – West-Eastern Divan Orchestra já foi tema da coluna sobre a Waldbühne, palco de shows e concertos ao ar livre.

Interior da Pierre-Boulez-Saal
Foto: Laura Ammann

Morto em janeiro de 2016, Pierre Boulez foi colega de Barenboim, que por sua vez é amigo do arquiteto canadense Frank Gehry, responsável pelo projeto da Pierre-Boulez-Saal. Sob insistência do regente, Gehry projetou a sala de concertos de forma oval e desconstruiu a rígida separação entre músicos e público. Em três andares – o térreo e dois anéis superiores – 682 expectadores se dividem de forma pouco hierárquica e em meio a eventuais instrumentos, colocados entre a plateia.

Interior da Pierre-Boulez-Saal
Foto: Laura Ammann

Os anéis, apesar do peso de 320 toneladas, passam uma impressão leve. Eles são ancorados em cinco pontos nas paredes laterais e movem-se, ainda que restritamente, de acordo com a necessidade das apresentações.

Interior da Pierre-Boulez-Saal
Foto: Laura Ammann

Em dezembro de 2017 assisti a Répons, uma obra do próprio Boulez, na sala que recebeu seu nome. A peça, estranha a ouvidos não treinados para a música clássica contemporânea como os meus, dura cerca de 45 minutos e foi tocada duas vezes, separadas por um pequeno intervalo. Como determinados instrumentos eram espalhados pela plateia, o público pode trocar de assento para a segunda escuta, experimentando assim a mesma obra de formas diferentes.

Interior da Pierre-Boulez-Saal
Foto: Laura Ammann

Com essa sala Berlim mostra, mais uma vez, sua habilidade em conciliar tradição e modernidade.

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Formada em Produção Editorial e especialista em Museologia e Curadoria, Laura Ammann é co-fundadora do projeto Arte Conceituando, que publica entrevistas sobre arte, e é mestranda em História da Arte pela Universidade Humboldt. Laura é de São Paulo, mora em Berlim e traz as suas dicas no Magari Blu.