Offline: a experiência de ficar sem comunicação em Botswana

Offline. Eu, como uma daquelas pessoas que vivem da internet, e amam essa condição, não me lembro mais quando havia sido a última vez em que efetivamente tinha estado desconectada. Talvez algumas horas ou até um dia ou outro em algum canto do mundo em que o 3G não pegava. Ah, mas tinha wi fi! Totalmente offline? Por uma semana? Hum, acredito que desde que o mundo tornou-se online 24/7 com os smartphones eu nunca tivesse ficado sem conexão por mais do que algumas horas.

Botswana, entretanto, é 100% offline. E porque quer assim. A administração dos acampamentos, claro, tem acesso à rede mas escolhe não disponibilizá-lo para os hóspedes. E nada de sinal de celular ou mesmo televisão.

Quando soube que ficaria incomunicável, até me assustei. E agora? Sem notícias do marido, da cachorrinha, dos pais? Sem poder compartilhar nenhum clique da aventura nas redes sociais? Nada de responder a e-mails de clientes que estão concluindo suas viagens? É, não teve jeito! Aviso de ausência temporário ativado e lá fui eu, de mochila nas costas, para a África.

A natureza da região do Delta do Okavango em Botswana é algo que impressiona – como já contei aqui. A minha câmera e eu fomos inseparáveis. A cada saída, cliques lindíssimos, daqueles para imprimir e emoldurar. E confesso que me esquecia completamente do celular no quarto (ou melhor, na tenda) e a bateria durou uma semana! Um dos milagres que a falta de 3G faz.

Ficar tantos dias sem comunicação com o mundo não me criou uma crise de abstinência, nem ansiedade, muito menos tremedeira. Ao contrário: me relaxou. Não ter aquele terrível hábito de se sentar com os outros e começar a dar uma olhadinha no que está rolando em outros lugares uniu o grupo e me conectou comigo mesma. Parece clichê, mas foi uma das viagens em que mais tive olhos apurados para o entorno e em que a minha memória fotográfica ficou afiada, afiada.

Estar em contato com a natureza dessa forma e se dar ao luxo de desligar por completo me fez muito bem. Fez até mesmo com que eu passasse a planejar que, ao menos uma vez por ano, irei me dar esse presente. Não precisa ir muito longe, basta deixar o celular delisgado na gaveta do criado-mudo. Mas se você é tão “addicted” quanto eu, um lugar que não te dá muita opção pode ser, sim, a opção.

Botswana encanta pelo cenário, pelo povo e pelo poder que exerce nos seus pensamentos e na sua alma – conectada com o entorno e com você mesmo. Recomendo!

O pôr do sol - de cinema - de Botswana Foto: magari blu

O pôr do sol – de cinema – de Botswana
Foto: magari blu

*Assista a TV MAGARI BLU em Botswana:

Ana Maria Junqueira está sempre viajando pelo mundo. É editora do Magari blu, consultora em viagens e a embaixadora de viagens da Perrier no Brasil.