MET no Sony Center em Berlim

Dicas de Berlim por Laura Ammann

O Sony Center, centro comercial e de entretenimento em Berlim, é um dos conhecidos pontos turísticos da cidade. Formado de cafés, bares, restaurantes e escritórios, o centro abriga também um grande cinema, que complementa suas salas regulares com outras IMAX e 3D. Não só por isso o Sony Center é um dos focos cinematográficos da cidade, mas também pelas estreias de filme e outros eventos tipo tapete-vermelho que ele hospeda, por onde passam celebridades como Tom Cruise e companhia.

O lounge do Cine Star, no Sony Center em Berlim
Foto: Laura Ammann

A área interna do cinema conta com duas bombonières e um aconchegante lounge com bar e piano. Assim, as noites de cinema (vale lembrar que a noite começa às 16:00 durante o inverno) ficam bem mais agradáveis. É em outro programa, no entanto, que o lounge pode ser vivido na sua máxima potência: durante a temporada de óperas do Metropolitan Opera de Nova York. Longe de valer a pena apenas pelo open-bar garantido pelo ingresso, a transmissão do programa do MET nas salas de cinema do Sony Center é uma imperdível oportunidade para quem não pode pegar um voo para conferir o programa in loco.

A parceria entre o MET e cinemas de todo o mundo é possibilitada, entre outros, pela Bloomberg Philantropies, empresa do filantropo e ex-prefeito de NY, Michael Bloomberg. A transmissão é feita ao vivo e em HD.

Em 18 de novembro do ano passado assisti à opera “The Exterminating Angel” do compositor contemporâneo Thomas Adès, baseada no filme homônimo de Luis Buñuel. O famoso enredo, tão adequado aos dias de hoje, na adaptação de Adès, quanto à década de 1960, quando da estreia do filme (ainda que por motivos diversos), é simples: os convidados de uma festa simplesmente não vão embora porque não conseguem. Não conseguem, não porque lhes falta uma porta, ou por estarem fisicamente impedidos, mas porque, nas palavras do compositor, porque lhes falta “vontade” (will).

A tela de transmissão da ópera “The Exterminating Angel”, antes do início da apresentação
Foto: Laura Ammann

Chegar cerca de uma hora antes do início da transmissão é um bom conselho; assim, aproveita-se uma taça de vinho embalada ao piano antes de entrar na sala. Lá dentro, a tela do cinema anuncia quantos minutos faltam para o começo da apresentação, enquanto as filmagens de tempos em tempos nos mostram a movimentação da casa, em NY. A idade média da sala em ocasiões como essa costuma ser alta: eu era uma das poucas que não tinha os cabelos todos brancos.

tela de transmissão da ópera “The Exterminating Angel”, antes do início da apresentação, mostra o ambiente no MET, em NY
Foto: Laura Ammann

A recepção da ópera através do cinema é diferente daquela no teatro. Para nós, a filmagem é como a de um filme; dinâmica, com closes e planos-detalhe, focada na maioria das vezes em personagens específicos. Isso, naturalmente, torna a experiência muito menos enfadonha, do que se a câmera fosse simplesmente posta frente ao palco. No(s) intervalo(s) há um bônus para quem está no cinema: acesso ao backstage e entrevista com os atores/cantores, bem como com o compositor.

A área externa do Sony Center, contra um céu de inverno
Foto: Laura Ammann

A temporada 2017/2018 começou em outubro passado, mas se estende até abril de 2018, então ainda há tempo. No dia 24 de fevereiro será transmitida “La Boèhme”, de Puccini; enquanto no dia 31 de março a noite fica por conta de Così Fan Tutte, de Mozart. A programação completa pode ser consultada no site do cinema em Berlim ou no YouTube, para outras cidades alemãs. Para outros cinemas ao redor do mundo, pode-se consultar diretamente o site do MET.

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Formada em Produção Editorial e especialista em Museologia e Curadoria, Laura Ammann é co-fundadora do projeto Arte Conceituando, que publica entrevistas sobre arte, e é mestranda em História da Arte pela Universidade Humboldt. Laura é de São Paulo, mora em Berlim e traz as suas dicas no Magari Blu.