Mari Campos dá as dicas para mulheres que querem se aventurar em viagens sozinhas

Sempre recebo e-mails e comentários no site sobre mulheres que morrem de vontade de viajar sozinhas mas ficam cheias de dúvidas e medos na cabeça. Sim, jantar sozinha pode ser meio chato, mas nada se compara à liberdade de escolher com total autonomia o destino e a programação, mergulhar num mundo onde tudo é novidade e ainda estar aberta a conhecer novos amigos e, quem sabe, um novo amor do outro lado do planeta!

A minha primeira viagem sozinha foi a Chicago e NY e foi tão bacana que me ajudou a tomar coragem para morar sozinha em Roma em 2011. As viagens solo tornaram-se super frequentes desde então e eu contei um pouco da minha experiência aqui na “Crônica da Viajante Solitária“.

Chamei hoje a Mari Campos para trocar uma ideia sobre as mulheres que viajam sozinhas e acredito que as suas dicas valem ouro para inspirar mocinhas que querem se aventurar pelo mundo afora, como Mari e eu vivemos fazendo!

Vale dizer que a Mari é entendida do assunto: é formada em jornalismo pela PUC  há mais de uma década (com pós na PUC e MBA na ESPM) e começou no jornalismo de turismo como frila. Com o tempo, os frilas foram ficando cada vez mais numerosos e desde 2008 se dedica exclusivamente a isso, colaborando como freelancer de viagens e lifestyle para mais de 15 veículos em 6 países diferentes, do Brasil a China, de Elle a Travel+. Além disso, ela conta tudo no seu blog www.maricampos.com e tem até livros de viagem publicados pela Verus/Record. O último, “Sozinha Mundo Afora”, tem tudo a ver com a nossa pauta.

Mari Campos Egito

Mari Campos sozinha no Egito
Foto: Arquivo pessoal

Confira aqui a entrevista:

Magari blu: Quais são as maiores dificuldades que uma mulher encontra quando decide viajar sozinha?

Mari Campos: Acho que a grande dificuldade é a desinformação. A meu ver, não existe diferença entre uma mulher viajar sozinha ou um homem viajar sozinho. Exceto pelo fato de que sofremos muito mais assédio que eles, enfrentamos os mesmos percalços: planejar tudo sozinhos, arcar com todos os custos, lidar com uma eventual solidão. E tem também o preconceito: muita mulher tem receios de viajar sozinha com medo de ser taxada de solitária, solteirona etc. Pouco a pouco, as mulheres brasileiras estão seguindo os passos das europeias e descobrindo que viajar sozinha pode – e é! – muito bom.

 

Mb: Como você planeja as suas viagens solitárias?

M.C.: Ops, viagens solitárias, não! Viagens solo, porque viajar sozinho é uma coisa e viajar solitariamente é outra bem diferente. Aliás, podemos ter uma viagem solitária na companhia de outra pessoa, se não for bem escolhida, não é? Planejo as viagens que faço sozinha exatamente do mesmo jeito que planejo as que faço acompanhada. A única diferença é escolher melhor onde me hospedar: não arrisco, sozinha, a ficar em vizinhanças mais desertas ou em acomodações pouco recomendadas, por exemplo; assim posso voltar pro hotel em qualquer horário, sozinha, sem me preocupar. A grande vantagem – a meu ver – no planejamento é não ter que negociar com ninguém nada; escolho tudinho eu mesma, do meu jeito, como quero.

 

Mb: Quais os lugares – se existem – pelos quais você passou sozinha e não se sentiu segura?

M.C.: No fundo, vou te dizer que as vezes que me senti insegura em viagens foram circunstanciais e não tiveram a ver com destino. É preciso ter cuidados, é claro, como não tomar qualquer táxi na rua (sempre peço o telefone de um rádio táxi ao fazer check in no hotel ou peço pro restaurante/bar/museu onde estou chamar um pra mim), não descuidar de sua bebida num bar, essas coisas. Ficar sozinha de madrugada esperando metrô numa plataforma em NY, por exemplo, me deixou insegura. Andar sozinha por Amã, na Jordânia, à noite, não me deixou insegura nem por um minuto. Existem lugares – como o Marrocos, por exemplo – em que nós, mulheres, temos que lidar com um assédio mais exacerbado, evidente, às vezes grosseiro. É algo que “enche” mas não necessariamente perigoso. Em minha primeira visita ao Marrocos, me incomodou; na segunda, esse ano, nem liguei.

 

Mb: Na sua opinião, quais as vantagens de se viajar sozinha?

M.C.: A liberdade. Poder acordar no horário que quiser, fazer o itinerário que quiser, se hospedar, comer, passear, tudo do seu jeito. Acho uma maravilha. Dividir a viagem com alguém é uma delícia, claro, e ninguém deve viajar sempre sozinho. Viajar com amigos, família, namorado, marido, irmã, tudo isso é maravilhoso. Mas acho mesmo que um tempinho só com vc mesma, pra se descobrir, ou se encontrar, realmente não tem preço. Além disso, acho mesmo, e isso vale para homens e mulheres, que realmente ficamos mais abertos ao outro quando viajamos sozinhos. Por isso que eu defendo tanto que faço “viagens solo” ou “viagens sozinha” e nunca “viagens solitárias”. Sempre conheço muita gente interessante ao viajar sozinha, de gente local a outros solo travelers, e não tem uma viagem da qual eu não volte com um novo amigo.

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Foto: Arquivo pessoal

Mb: Quando você está sozinha em uma viagem, você costuma juntar-se a outros grupos, como tours ou excursões, ou você faz sua própria programação?

M.C.: Gosto de fazer minha própria programação. Mas sou faladeira, curiosa (coisa de jornalista, talvez?),  então sempre converso muito com as pessoas que encontro pelo caminho, o que acaba rendendo ótimos amigos de viagem. Mas, eventualmente, também posso entrar em tours, e recomendo muito aos mais tímidos. Existem walking tours gratuitos divinos em muitos destinos (sobretudo europeus) que são excelente forma de quem é mais tímido fazer novas amizades de viagem – e, provavelmente, descolar companhia para seguir do tour para um pub, um restaurante ou outra atração da cidade. Excursões em grupo também podem ser uma boa para quem tem esse perfil mais tímido.

 

Mb: O que é preciso ter em mente para uma mulher fazer a sua própria programação em uma viagem a outro país?

M.C.: Nada especial. Fazer o dever de casa como todo viajante deveria fazer sempre que viaja a outro destino: PESQUISAR. Ou seja: informar-se sobre hábitos, questões de etiqueta, costumes, regras de vestuário, para aproveitar o destino sem destoar, ofender ou ficar parecendo os gringos com camisetas havaianas no calçadão de Copacabana, sabe? E é preciso zelar pela sua segurança como se estivesse em qualquer grande destino brasileiro. Não é porque você está na Europa que pode baixar a guarda, caminhar por ruas desertas ou lugares escuros, dar bobeira com a bolsa e os documentos, beber horrores com desconhecidos. Não, não pode. Tem que se cuidar; quando estamos sozinhas, não temos com quem dividir as responsabilidades, então não dá pra dar bobeira.

 

Mb: Como evitar a solidão nas viagens solo? Qual a pior parte para você?

M.C.: Sou suspeita porque não vejo nada, nada mesmo, de ruim nas viagens solo. Nunca me senti solitária, gosto de, vez ou outra, ficar comigo mesma pra pensar. E, como disse antes, sempre conheço muita gente nas minhas viagens, faço novos amigos com os quais saio para passeios ou para jantar. E mesmo jantar sozinha, que é algo que a maioria das mulheres abomina, hoje já não me constrange mais: bato papo com o garçom ou o maitre do local e estou sempre com meu celular fazendo ótimo uso do wifi enquanto faço minha refeição. Acho, aliás, o smartphone o melhor amigo de quem viaja sozinho SEMPRE!!! A maioria das mulheres fica tão preocupada (preconceito mesmo!) em estar jantando sozinha que normalmente nem se dá conta de quantas outras pessoas também estão jantando sozinhas no mesmo restaurante que ela.

 

Mb: Para você, estar sozinha em um local desconhecido é…

M.C.: Excitante!!!

sozinha mundo afora

Obrigada, Mari! Adoramos! 😀

Onde encontrar a Mari Campos:

Blog: www.maricampos.com
Twitter: @maricampos

Ana Maria Junqueira está sempre viajando pelo mundo. É editora do Magari blu, consultora em viagens e a embaixadora de viagens da Perrier no Brasil.