Incrível Pompéia

28/03/2011

Imagine só se um belo dia um vulcão explodisse, soterrasse uma cidade inteirinha e a fizesse sumir do mapa? Aí, em um outro belo dia, mais de 1700 anos depois, a cidade fosse encontrada por acidente em uma escavação?

Parece filme, não é? Mas é realidade. E é o lugar mais interessante em que já estive.

Estou falando de Pompéia (Pompei), na região de Nápoles, uma lição de História ao vivo e incrível, que vou tentar reproduzir, ainda que somente uma parte dela, para vocês.

A cidade foi engolida pela erupção do Vulcão Vesúvio em 79 d.C. No século XVI foram encontrados os primeiros traços da cidade, até que as escavações para explorá-la se iniciaram em 1748. Parece que muita coisa desapareceu nesse período, mas é certo que a cidade está praticamente inteira como era.

A primeira coisa que me chamou atenção foram os teatros, um grande e outro pequeno, projetados com ótima acústica para concertos e declamações de poesia.

Teatro Piccolo di Pompei
Foto: magari blu

 

Mais adiante há a rua do comércio da cidade. As lojinhas são todas mais ou menos do mesmo tamanho e comportavam a casa do proprietário no andar de cima ou nos fundos.

Restaurantes tipo “fast food”, padarias, lavanderias! Existia tudo na antiga Pompéia. Muito impressionante.

Rua do comércio em Pompéia
Foto: magari blu

 

Fast food”, ou o “Mc Donalds” da época, tipo de restaurante onde se vendia a comida para viagem
Foto: magari blu

 

Padaria e os fornos:
Foram encontrados 80 pães carbonizados na escavação!
Foto: magari blu

 

O esgoto escorria pela ruas e, tanto para que as carroças parassem para os pedestres atravessarem, quanto para que estes não se sujassem com os resíduos, a travessia era feita pelo caminho de pedras mais altas.

“Faixa de pedestres” de Pompéia!
Foto: magari blu

 

Hoje em dia, Pompéia está a cerca de 2 quilômetros do mar. Contudo, na época, o mar chegava até a cidade que contava com um porto e um enorme fluxo de marinheiros e forasteiros. E todos esses homens tinham bastante entretenimento ali.

Em Pompéia havia 25 bordéis, chamados “lupanare”! “Lupa”, loba em latim, significava prostituta, pelos uivos que elas emitiam dos andares superiores de cada “lupanara”, chamando os clientes.

O das fotos abaixo era o maior da cidade, com 5 quartos no piso térreo e mais 5 no piso superior. No térreo as instalações eram mais desconfortáveis e as “opções” menos elaboradas.

Provavelmente em razão das diversas línguas faladas ali, a saída encontrada para solucionar o problema da comunicação foram os afrescos pintados pelas paredes, onde o cliente apontava aquilo que queria sem muito esforço.

“Menu”:
Tirem as crianças da sala!
Foto: magari blu

 

“Quarto” do piso térreo do bordel de Pompéia
Foto: magari blu

 

Logo se chega na praça principal, o Foro, onde havia a Basilica, tipo de Tribunal da época, além de mercados, edifícios da administração pública e até banheiros públicos. O chão era todo coberto de mármore para refletir a luz do sol e da lua.

Ao fundo se vê o Vulcão Vesúvio, hoje adormecido (por enquanto)…

Vulcão Vesúvio ao fundo da praça principal de Pompéia
Foto: magari blu

 

Os corpos das pessoas mortas neste terrível acidente natural obviamente se decompuseram e desapareceram, porém o espaço que ocuparam ficou marcado como se fossem formas na mistura de lava e lama que soterrou a cidade.

Molde em gesso de um homem protegendo o rosto
Foto: magari blu

 

Assim, foram preenchidos esses espaços com gesso e moldados exatamente na forma em que morreram pessoas e animais.

Os dentes encontrados com os corpos serviram de base para saber se aquela pessoa era rica ou não. A primeira coisa que nos vem à cabeça é pensar que se estivessem mal cuidados, eram de uma pessoa pobre, certo?

Porém naquela época os ricos se utilizavam verdadeiramente da filosofia de vida “Carpe diem”, ou seja, viver o hoje com tudo que se pode, pois o amanhã é incerto.

Logo, eles comiam até não aguentar mais e depois vomitavam para conseguir continuar. E comiam mais e mais. Por essa razão, e por falta de cuidados obviamente que não existiam naquele tempo, os dentes dos mais afortunados eram muito mais estragados do que dos escravos ou dos pobres, que pouca comida tinham.

Outra curiosidade é que a avenida que levava ao porto era salpicada com pedacinhos de mármore (que estão lá até hoje), usados como refletores “olhos de gato”. A luz da lua refletia nos pontos e iluminava o caminho à noite. Mais ou menos como os trajetos de luzinhas no chão dos aviões e dos teatros e cinemas. Não é demais?

Pompéia é como estar em um filme e ver de perto os hábitos dos romanos antigos.

Uma das experiências mais fantásticas que já tive e que recomendo!

Pompéia
Foto: magari blu