Gemäldegalerie, a galeria de pinturas em Berlim

09/12/2016

Dicas de Berlim por Laura Ammann

A Gemäldegalerie é certamente um dos museus mais importante de Berlim. O Kulturforum (Fórum de Cultura), complexo de que a galeria faz parte, já foi definido como uma espécie de resposta moderna à Ilha dos Museus. A Gemäldegalerie fica, portanto, rodeada nesse complexo pela Filarmonia e Biblioteca Estatal de Berlim, pelo Instituto de Pesquisa em Música e por dois outros museus. Além disso, o acesso mais fácil à Gemäldegalerie se dá através da Potsdamer Platz, um dos corações turísticos da cidade.

Vista da Gemäldegalerie para a Filarmonia Foto: Laura Amman

Vista da Gemäldegalerie para a Filarmonia
Foto: Laura Amman

Parte dos 19 museus estatais de Berlim (Staatliche Museen zu Berlin, ou SMB), a Gemäldegalerie foi construída por dois arquitetos de Munique. O prédio tem 72 salas, formando quase 2km de passeio em meio às obras, que datam dos séculos 13 a 18. Os pontos altos da coleção são pintura italiana do século 13 a 16 e pintura holandesa dos séculos 15 e 16. Expostas de forma relativamente cronológica, as pinturas são quase 1.000 nas galerias do piso principal, complementadas por cerca de 400 obras no desconhecido piso inferior.

Entre os artistas exibidos estão Holbein, Dürer e Lucas Cranach, representando a pintura alemã, e os flamengos van Eyck, Petrus Christus e Bruegel – grupo de fortes nomes da pintura dos séculos 15 e 16. Ainda entre os holandeses, seguem-se nomes como van Dyck, Frans Hals, Peter Paul Rubens, Vermeer e Rembrandt.

Rubens tem grande destaque, com uma sala de obras de grande proporção, além de algumas também menores em outros ambientes. De Vermeer, a Gemäldegalerie tem duas pinturas: “The Wine Glass” (1658-60) e “Woman with a Pearl Necklace”(1662-64).

Peter Paul Rubens, Christus mit dem Johannesknaben und Engeln [Cristo com menino João Batista e anjos], sem data Foto: Laura Ammann

Peter Paul Rubens, Christus mit dem Johannesknaben und Engeln
Cristo com menino João Batista e anjos, sem data
Foto: Laura Ammann

Já a coleção de 16 Rembrandts é conhecida mundialmente pela sua qualidade e tamanho, além da variedade de exemplares de diferentes fases do pintor. A sala octogonal destinada a Rembrandt (sala XX) se encontra no centro do museu, de modo que quase não é possível não passar por ela. Além disso, salas menores, anexadas ao octógono, possuem Rembrandts de menores dimensões e pinturas de alguns de seus colegas, como alunos e professores, a exemplo de Peter Lastman, Lievens e Govert Flinck.

Rembrandt, Susanna und die beiden Alten [Susana e os anciãos], 1647 Foto: Laura Ammann

Rembrandt, Susanna und die beiden Alten
Susana e os anciãos, 1647
Foto: Laura Ammann

Jean Antoine Watteau e Caravaggio são representados cada um com uma só obra, mas nem por isso são menos importantes. Do primeiro, a Gemäldegalerie tem a pintura “The Dance” (1719); do segundo, o famoso Amor Vincit Omnia (1601-02), também conhecida por diversos outros títulos, como Amor Victorious, por exemplo. Um dos xodós do museu, essa pintura não sai de lá nem para empréstimo. Por fim, uma outra atração que vale ser mencionada são as cinco Madonnas, de Rafael: “Madonna with child and Saints” (1502), “Madonna Diotalevi” (1503), “Madonna Terranuova” (1505), “Solly Madonna” (1500-04) e “Madonna Colonna” (1507-08).

Jean Antoine Watteau, Der Tanz [A dança], 1719 Foto: Laura Ammann

Jean Antoine Watteau, Der Tanz
A dança, 1719
Foto: Laura Ammann

A coleção que se encontra hoje na Gemäldegalerie foi aberta ao público pela primeira vez em 1830. As pinturas começaram a ser adquiridas a partir de 1815, por iniciativa do governo prussiano, o que é uma peculiaridade da coleção: diferentemente da maioria das coleções europeias, a Gemäldegalerie não formou seu acervo a partir de uma coleção real. (A Gemäldegalerie de Dresden, por exemplo, deriva da coleção real da Saxônia).

Uma das salas da Gemäldegalerie Foto: Laura Ammann

Uma das salas da Gemäldegalerie
Foto: Laura Ammann

Quando Berlim se tornou capital do Império Alemão, em 1871, o interesse e capacidade de investimento na coleção cresceram – e ela, consequentemente, também. Inicialmente exibidas no Altes Museum, as obras passaram ao hoje denominado Bode Museum (antigo Kaiser Friedrich Museum). No século 20, principalmente na Segunda Guerra, 400 obras foram destruídas, e somente no século 21 elas passaram ao prédio atual da Gemäldegalerie.

Curiosamente, mesmo com um acervo desses, a Gemäldegalerie não recebe muitos visitantes. Em parte isso se deve à personalidade da própria cidade: Berlim, se comparada com outras capitais europeias, tem museus menos badalados – o que pode tornar o passeio mais agradável para o visitante, mas se torna uma preocupação frente aos tão necessários números que envolvem a administração de um museu. Todos os 19 museus estatais de Berlim, por exemplo, recebem juntos 3.9 milhões de visitantes ao ano. Em contraponto, o Prado, em Madri, e o Rijksmuseum, em Amsterdam, recebem cada um 2 milhões. De mesmo modo, em 2014 o British Museum e o Louvre atraíram, respectivamente, 6.7 e 9.3 milhões de visitantes. Em Berlim, o museu que lidera a lista é o Pergamon, com 1 milhão de visitantes ao ano.

O interior da Gemäldegalerie Foto: Laura Ammann

O interior da Gemäldegalerie
Foto: Laura Ammann

Na Gemäldegalerie as exposições temporárias ainda chamam mais pessoas que o acervo próprio do museu. Neste ano, a exposição “El Siglo de Oro”, com pinturas da era de ouro espanhola, incluindo trabalhos de Velázquez, atraiu 150 mil visitantes, enquanto a atual exposição temporária, que comemora o quinto centenário de Heronymus Bosch, teve filas de cerca de 3 horas na noite de abertura.

O interior da Gemäldegalerie Foto: Laura Ammann

O interior da Gemäldegalerie
Foto: Laura Ammann

Além das exposições, a administração dos SMB prepara uma extensa programação de tours, bate-papos e “expert talks” em vários dos museus da rede estatal. Na Gemäldegalerie, por exemplo, toda última quinta-feira do mês é dia de ouvir um docente de uma prestigiada universidade do país falar sobre iconografia religiosa, usando o acervo da galeria.

Além disso, a galeria oferece também uma programação de concertos e, especialmente nessa época do ano, encontros culturais natalinos.

Onde encontrar:
www.smb.museum

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Formada em Produção Editorial e especialista em Museologia e Curadoria, Laura Ammann é co-fundadora do projeto Arte Conceituando, que publica entrevistas sobre arte, e é mestranda em História da Arte pela Universidade Humboldt. Laura é de São Paulo, mora em Berlim e traz as suas dicas no Magari Blu.