Entrevista com Renata Junqueira: MuBE, cultura no Brasil, novos talentos…

Renata Junqueira no MuBE
Foto: Arquivo pessoal

A entrevistada de hoje é Renata Junqueira de Azevedo Silva, Diretora de Relações Internacionais e de Coordenação Geral do MuBE, Museu Brasileiro da Escultura, em São Paulo.

Renata faz parte da turma que muito tem feito pela cultura no Brasil, implementando uma série de mudanças no museu e levando a arte para todos. É uma honra tê-la por aqui!

Para apresentar melhor o MuBE, nas palavras da própria Renata, “o MuBE é um museu que veio para tomar o seu lugar como o lugar da arte urbana e contemporânea de São Paulo, onde o novo tem a sua vez em todas as manifestações: pintura, escultura, vídeo, performance, música,  teatro, fotografia, moda e cinema. Nos baseamos  no Palais de Tokyo e na Fondation Cartier, ambos em Paris.  A proposta é a participação, integração e vivência na arte.”

Vamos agora conferir o bate-bola, onde Renata conta mais sobre o MuBE, seus projetos, o cenário atual das artes no Brasil e ainda os novos talentos que merecem nossa atenção!

 

magari blu: No que consiste o seu cargo no MuBE?

Renata: O meu cargo no MuBE é de Diretora de Relações Internacionais e também de Coordenação Geral.  A  abrangência é bem grande pois tivemos que rever a missão da instituição, que andava meio caída. Então eu cuido dos acordos com artistas e instituições estrangeiras, de todas as exposições internacionais e nacionais, do teatro, do Cine Clube, do Festival Cine MuBE Vitrine Independente, da implantação das ações educativas e das ações de integração com a comunidade.

 

mb: Quais são os principais projetos do MuBE atualmente?

R.: Sem dúvida nenhuma, entre os nossos projetos autorais é a II Bienal Internacional de Graffiti Fine Art, o Festival Cine MuBE Vitrine Independente e o Teia MuBE, um projeto ousado de  plataforma de cultura para o alcance de todos.

 

mb: Quais são as maiores dificuldades e facilidades em trabalhar com cultura no Brasil?

R.: Eu digo sempre que matamos um leão por dia. A dificuldade principal é sempre o patrocínio. Temos no país ferramentas interessantes  que são as leis de incentivo fiscal, mas  muitas vezes encontramos entraves mesmo com projetos aprovados através delas. Sejam eles burocráticos ou políticos, internos ou externos, nunca se sabe para onde teremos que correr para conseguirmos viabilizar um projeto. A criatividade se faz necessária até mesmo na gestão cultural.

 

mb: Quais as principais mudanças que você tem observado no modo de ver a cultura e a sua importância pelo brasileiro?

R.: O que eu vejo é um interesse maior. Um certo esforço para que as as coisas mudem, porém falta muita coisa. Como depoimento dentro do meu trabalho, nós no MuBE implantamos um laboratório para vivenciar a arte e o espaço do museu dentro de uma proposta transformadora. Em nosso plano de ação, incluimos gente que nunca entrou em um museu. Com isso, o público  interage, se interessa e se sente participante do contexto da vida cultural da cidade. O importante nisto tudo é que ajudamos a formar um mercado consumidor de arte para o futuro.

 

mb: O que ainda falta para a cultura brasileira evoluir mais?

R.: Consciência do papel e da importância da cultura na vida de todos nós como reforço de nossa identidade. Perder o “complexo Tupiniquim” e a empáfia. A arte é para todos e é nossa obrigação democratizá-la.

 

mb: Na sua opinião, quais cidades ou lugares do mundo das artes são as mais inspiradoras? Por quê?

R.: Pelo mundo, sem sombra de dúvida Paris, Londres e Nova York e depois Berlim, Madri e L.A. Os motivos são meio óbvios. Em síntese a tradição, por fazerem parte de uma indústria turística e de negócios e por agregarem valor à economia destes países. A divulgação da cultura não deixa de ser uma maneira de influenciar e conquistar o mundo.

 

mb: Qual seu sonho de consumo de arte?

R.: Uma escultura monumental do Anish Kapoor (risos).

 

mb: Quais artistas novos que merecem nossa atenção?

R.: Por aqui, os nossos artistas de origem na street art como o Flip e Nove e o Breno Rodrigues de Brasília. Pelo mundo, adoro a Katja Loher (suíça) e a Bharti Kher (anglo-indiana).

Mais cliques da Renata no MuBE
Foto: Arquivo pessoal

Foto: Arquivo pessoal

Grazie mille, Renata! Adorei! 😉

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