Como escolher o seguro-viagem

Dicas da Redação por Sara Meirinho

Quando programamos uma viagem analisamos cada detalhe do hotel que vamos ficar, buscamos os comentários sobre as companhias aéreas que voaremos e, muitas das vezes, traçamos até toda a programação com antecedência. Na hora de escolher o seguro-viagem, entretanto, essa pesquisa normalmente não é tão minuciosa.

Quem nunca precisou usar muitas vezes não se dá conta de como a contratação de um bom seguro pode determinar o sucesso de uma viagem.

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Em 2014, o CNSP (Conselho Nacional de Seguros Privados) aprovou a proposta da SUSEP (Superintendência de Seguros Privados) com uma nova regulamentação para os seguros-viagem.

As novas regras deveriam ter entrado em vigor no mês passado, mas as seguradoras ganharam um novo prazo de 180 dias para se adequar. Na prática, as grandes empresas do ramo já estão comercializando os seguros adequados ao novo regimento.

Fique esperto ao que mudou:

– Os seguros de viagens internacionais serão obrigados a incluir despesas médicas, hospitalares e odontológicas. Anteriormente, havia apenas 2 coberturas obrigatórias: nos casos de morte e de invalidez permanente. Nas viagens nacionais, essa cobertura será opcional;

– Para viagens internacionais, os seguros deverão cobrir, também, a volta do cliente em caso de impedimento de retorno como passageiro regular, traslado médico e traslado de corpo;

– Torna-se obrigatória a cobertura de episódios de crise ocasionados por doenças preexistentes ou crônicas quando provocarem quadro clínico de emergência. Essas despesas serão limitadas até a estabilização do quadro clínico que lhe permita continuar a viagem ou retornar ao seu domicílio;

– Companhias aéreas não podem embutir o valor do seguro-viagem no ato da compra das passagens. Elas podem oferecer a contratação desde que seja dissociado do valor da tarifa e essa informação deve estar clara para o passageiro. A regra se estende para as operadoras turísticas;

– Antes os seguros-viagens funcionavam mediante reembolso – o viajante pagava as despesas médicas no local que escolhia e, depois, recebia o dinheiro de volta. Já a assistência-viagem contava com rede de hospitais conveniados onde o viajante podia ser atendido sem desembolsar nada. Ambos com valores limite preestabelecidos em contrato. Entretanto, com a nova resolução, o seguro poderá atender das 2 formas e assistência-viagem deixará de existir.

Ao escolher o seguro para sua próxima viagem, pesquise se o seu destino tem alguma cobertura obrigatória (na Europa, por exemplo, os países integrantes do Tratado de Schengen exigem um seguro com cobertura mínima de 30 mil euros), procure opções que ofereçam cobertura em caso de cancelamento da viagem por motivos fortuitos e sempre escolha o tipo de cobertura do seu seguro baseado nos custos médios dos serviços de saúde do país que você vai visitar.

Países integrantes do Tratado de Schengen

Países integrantes do Tratado de Schengen

Atente-se à descrição das coberturas para os termos “Remoção Sanitária” (remoção para outro hospital com mais estrutura que corresponda com à natureza da lesão ou doença) e “Repatriação Sanitária” (retorno com cuidados especiais ao seu país de origem). Na maioria das vezes, ao tratar desses serviços consta apenas a palavra “sim” – o que significa que o valor disponibilizado para essas ocorrências estarão incluídos no montante da cobertura de despesas médicas.

Veja um exemplo: você contratou um seguro com cobertura de USD 25 mil para uma viagem aos EUA. Chegando lá sofre uma queda e tem lesões que geram uma fatura de USD 24 mil no hospital. Devido ao seu quadro clínico, você necessita de um transporte com cuidados especiais para regressar e continuar seu tratamento no Brasil. Caso no item “Repatriação sanitária” conste apenas a palavra “sim” você terá apenas USD 1 mil para custear essa despesa. O que exceder esse valor será por sua conta.

Já no caso de contratar um seguro que no item “Repatriação Sanitária” conste um valor determinado, você terá direito a esse valor descrito para custear o transporte, independentemente dos custos da cobertura médica.

Para ter uma ideia de como isso é importante, você sabia que para mover alguém que necessite ser transportado em uma maca de uma cidade a outra no Brasil com a GOL, a companhia cobra o equivalente a 9 assentos na tarifa mais alta (classe tarifária Y) do trecho utilizado? Imagine os custos de uma repatriação de um país para o outro!

A nova regulamentação obriga as seguradoras a cobrir a repatriação, mas o valor desta cobertura não é estipulado e pode estar incluído no montante da cobertura por despesas médicas. Então atente-se a esse item.

Veja abaixo a comparação entre 3 opções de seguro e as diferenças no caso de “Repatriação Sanitária”:

Seguro Assist Card

Seguro Assist Card

Seguro GTA Assist

Seguro GTA Assist

Seguro Travel Ace

Seguro Travel Ace

Outro aspecto importante na hora de escolher o seu seguro viagem é observar se ele é por “Montante Global” ou “Por Evento”.

O seguro por “Montante Global” cobre todos as despesas médicas até o limite estipulado pela cobertura, independentemente se foram decorrentes de 1, 6 ou 10 eventos. Ele é vantajoso quanto o montante global é de USD 500 mil ou mais.

Fora isso, busque sempre seguros que ofereçam cobertura “Por Evento”. Esses seguros oferecem o valor da cobertura para despesas médicas a cada evento. Ou seja, para um seguro com cobertura de USD 25 mil, se hoje você tiver uma infecção intestinal terá USD 25 mil para custear as despesas médicas desta ocorrência. Se depois, durante a mesma viagem, cair e quebrar o pé (que azar é esse, gente?!), terá outros USD 25 mil para cobrir os gastos decorrentes deste outro evento também.

Devido à alta concorrência, as seguradoras têm inovado e algumas oferecem coberturas adicionais interessantes, como a cobertura da seguradora Vital Card para catástrofes climáticas, que garante o custeio de até 5 diárias de hotel em casos de catástrofes climáticas que impossibilitem o regresso ao domicílio na data programada – nesses casos fortuitos as companhias aéreas e operadoras turísticas não tem obrigação de custear essa hospedagem. Há ainda, orientação em caso de perda de documentos, assistência legal por acidente de trânsito e, dependendo da situação, até apoio às despesas emergenciais destinadas à alimentação e hospedagem em atrasos de voo.

Escolher o seguro-viagem não é tarefa fácil como se pensa. Consulte os pormenores dos principais itens e evite dores de cabeça no caso de uma eventual utilização.

Viajar tranquilo faz toda a diferença!

Sonhadora, viajante, apaixonada pela vida. Sara Meirinho é assistente de redação do Magari blu, consultora de viagens e exploradora em tempo integral. Acredita que os maiores erros que podemos cometer na vida são levar, na bagagem, roupas demais e sonhos de menos.