Brotas

Estive nesse fim de semana em Brotas, no interior de São Paulo. Considerada a capital dos esportes radicais, tive belas recomendações do destino mas, confesso, mesmo assim me surpreendi com a estrutura e o charme de Brotas. Situada a 250 km da capital, o acesso é feito via terrestre pelas rodovias Bandeirantes e Washington Luís.

Confira aqui o roteiro escolhido a dedo pelo Magari blu:

*O que fazer?

– ESPORTES E ECOTURISMO

Brotas é conhecida por proporcionar aos turistas uma grande variedade em termos de ecoturismo e esportes. São infinitas possibilidades, para todos os gostos.

Macaco-prego avistado durante passeio em Brotas Foto: EcoAção

Macaco-prego avistado durante passeio em Brotas
Foto: EcoAção

– Atividades para os menos aventureiros e para crianças

Para os mais tranquilos, trilhas, cachoeiras, passeios de quadriciclo, caiaque, pesca e stand up paddle são algumas das opções. As crianças adoram a tirolesa que cai na água. Para agendar qualquer um desses passeios, procure uma das agências da cidade, como EcoAção e Aventurah.

– Rafting

É o rafting a atividade mais procurada em Brotas! No inverno, o rio Jacaré-Pepira fica baixo e a aventura é mais moderada. Na época das chuvas, no verão, o volume de água aumenta consideravelmente e dizem que é mais emocionante. Mas não que no inverno não seja bacana.

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O trajeto pelo rio Jacaré-Pepina
Foto: magari blu

Achei o rafting bem divertido, uma atividade gostosa que mistura esporte com natureza e, claro, aquele friozinho na barriga delicioso ao descer as corredeiras. O dia estava lindo e quente. A água, um pouco fria, mas deliciosa.

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Eu me divertindo no rafting
Foto: EcoAção

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Cadê o pessoal do bote?
Foto: EcoAção

Pedimos até para o instrutor virar o bote para darmos um mergulho. No começo, não estava muito fã da ideia, com medo da água fria! Mas foi divertido! Em noites de lua cheia, acontece o rafting noturno! Não tive oportunidade de fazer, mas deve ser bem emocionante se aventurar no rio no escuro.

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Vira-vira-vira…
Foto: EcoAção

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Virou!
Foto: EcoAção

Diversas agências organizam o rafting. O nosso foi realizado pela EcoAção, que eu recomendo. Na agência, os aventureiros recebem um treinamento divertido e bem útil sobre como proceder no bote, a posição correta para segurar o remo, os comandos utilizados pelos instrutores durante a descida pelo rio, e como se comportar caso caia do bote no rio. Essa possibilidade existe sim, mas, pela experiência que tive no rafting (ainda mais com o rio baixo), posso dizer que é bem remota. Basta atender corretamente aos comandos do instrutor que dificilmente você passará por qualquer tipo de apuro.

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Instrutor dando o treinamento antes de ir até o rio
Foto: EcoAção

É uma atividade no rio, então a gente se molha. O ideal é usar roupas com secagem rápida, tipo dry fit. Na loja da agência são vendidas peças para quem precisar. Para as mulheres, é bom usar top ou biquíni por baixo da roupa, e os homens de sunga por baixo da bermuda. Eu fiz o rafting com uma bermuda de lycra – o que tem prós e contras. Por um lado, como estava um dia lindo ensolarado, foi ótimo estar de bermuda pois a pele seca muito mais rápido do que se usasse uma calça legging que ficasse ensopada (e fica!). Mas, por outro lado, a legging protegeria dos implacáveis borrachudos, que picam mesmo! Repelente, aliás, é imprescindível.

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Roupas próprias para o rafting e outras atividades na água à venda na EcoAção
Foto: magari blu

Muita gente recomenda que se use um tênis velho para fazer o rafting. E assim eu cheguei na agência pronta para a aventura. Mas por 5 reais você aluga uma papete lá mesmo e é essa a minha dica! Ficar com o tênis molhado é bem desagradável, então caso você não tenha uma papete para chamar de sua, alugue antes do passeio. Garanto que você vai se lembrar de mim e me agradecer por essa recomendação!

Em tempo: capacete e colete salva-vidas complementam o visual e atendem às medidas de segurança no bote.

– Tirolesa (voo do vale)

Um dos programas mais radicais de Brotas é o chamado “voo do vale”, a tirolesa do parque Aventurah. São dois cabos de aços, num total de 1300 metros de extensão, a 110 metros de altura! O maluco se joga para cruzar o vale preso por cordas nos cabos, em um verdadeiro voo sobre o vale.

É possível ir amarrado pelas costas, o chamado “fly”, que dá a impressão de se estar voando mesmo, à la Super Homem! Dá também para ir sentado como se fosse em uma cadeirinha de cordas. Nessa modalidade, existe ainda o voo duplo, no qual duas pessoas vão juntas em duas cadeirinhas e fazem a travessia acompanhadas. O peso somado das duas pessoas deve ser de até 140 kg. Essa foi a opção que escolhemos. Pode ser que o voo preso pelas costas dê mais frio na barriga, mas não me arrependo de ter escolhido o voo duplo.

Quando você chega na plataforma de onde sai a tirolesa, é inevitável. Você vai pensar “mas o que eu estou fazendo aqui?”! É bem alto e, o pior, você não consegue avistar a chegada do outro lado. São 2 trechos, o primeiro, mais longo, com 800 metros, e o segundo com mais 500 metros, que leva a uma terceira plataforma, onde termina a aventura. Entre um trecho e o outro, pausa na segunda plataforma.

De acordo com os instrutores, nunca aconteceu nenhum acidente na tirolesa. De fato, parece ser difícil de ocorrer. Cada cabo de aço suporta um peso de 2.000 kg. E lá estão dois para garantir. Ainda, o doidão que se joga do vale fica preso por duas cordas muito fortes também, o que aumenta a segurança em caso de, Deus me livre, rompimento de uma delas.

Antes de iniciarem os saltos, um instrutor faz o voo na tirolesa e se certifica de que está tudo ok. Brotas foi a primeira cidade brasileira a ser certificada em segurança pela ABNT e, de fato, se vê uma constante preocupação com isso nos passeios. Ainda bem!

O tempo de cada travessia depende bastante do vento (se está ventando ou não, e se o vento está contra ou a favor). Mas cada travessia dura, em média, um minuto. Se estiver no voo livre, o “fly”, leva até menos, porque a pessoa pega mais velocidade e corta mais o vento. Na hipótese de a pessoa não chegar até o outro lado, imediatamente o instrutor a resgata. O resgate é rápido, mas é preciso manter a calma porque não deve ser muito agradável ficar parado e pendurado lá em cima.

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A imagem que se tem antes de saltar: a plataforma, os cabos de aço e a imensidão da mata!
Foto: magari blu

Pois bem. Feitas todas as explicações e estando devidamente equipada, tomei coragem e saltei. A sensação é indescritível! Nunca pulei de paraquedas e nem de bungee jump, mas imagino que o voo na tirolesa não deixe a desejar. Muita adrenalina, frio na barriga de verdade (aqui o rafting virou fichinha!) e um visual lindo. Você vê as árvores pequeninas lá embaixo, uma boiada que passa na fazenda vizinha. Dizem que dá até pra ver uma cachoeira, mas essa não consegui avistar. Acho que estava muito tensa quando pulei! Para saltar para o segundo trecho fui bem mais tranquila. Você pega mais confiança no equipamento e gosta da sensação, então foi bem mais fácil de me jogar lá de cima!

Clique no mini vídeo abaixo e tenha uma ideia do que passei!

– Outras atividades de aventura

Arvorismo, rapel, rapel na cachoeira e boia cross são algumas das demais opções para quem curte aventura e quer viver outros tipos de experiências em Brotas!

Onde encontrar:
EcoAção: www.ecoacao.com.br
Aventurah: www.aventurahbrotas.com.br

 

*Onde comer?

– Vila del Capo

Fora da cidade, na estrada que liga Brotas a Patrimônio, está o antiquário e restaurante Vila del Capo. Esse lugar é realmente especial! A fachada já diverte, pois jamais se espera encontrar uma construção estilo toscana, cheia de bandeiras da Itália, no meio da estrada! Assim é a Vila del Capo.

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Entrada da Vila del Capo
Foto: magari blu

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Fachada do antiquário e restaurante
Foto: magari blu

O antiquário tem móveis e objetos antigos muito bacanas. Armários, camas, sofás, mesinhas, mesas de jantar, abajures estilo Tiffany, copos coloridos, louças antigas. Está tudo em exposição no mesmo ambiente em que funciona o restaurante. É um daqueles lugares em que você fica o tempo todo olhando em volta, e a cada olhar descobre algo lindo ou divertido. Do lado de fora, um belo orquidário está aberto para visitação também.

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Vila del Capo
Foto: magari blu

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Vila del Capo
Foto: magari blu

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Vila del Capo
Foto: magari blu

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Vila del Capo
Foto: magari blu

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Vila del Capo
Foto: magari blu

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Vila del Capo
Foto: magari blu

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Vila del Capo
Foto: magari blu

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Vila del Capo
Foto: magari blu

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Vila del Capo
Foto: magari blu

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Vila del Capo
Foto: magari blu

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Vila del Capo
Foto: magari blu

A comida, claro, é italianinha e é bem gostosa. Para começar, pedimos bruschetta com queijo e linguiça calabresa, seguida de saladinha da casa, fusilli com polpette e, de sobremesa, sorvete de creme com calda de caramelo e nozes. Uma delícia!

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Bruschetta com queijo e linguiça calabresa
Foto: magari blu

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Salada de alface com tomates e mozzarella
Foto: magari blu

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Fusilli com polpette
Foto: magari blu

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Sorvete com calda de caramelo e nozes
Foto: magari blu

Onde encontrar:
www.viladelcapo.com.br

 

– Malagueta

No centro da cidade, está o Malagueta, simpático restaurante com comida caseira. Na parede, as garrafas de cachaça decoram e divertem. No sábado em que estivemos lá, havia um belo buffet de feijoada, além dos pratos à la carte. A dica do Magari blu é o filé à parmegiana com arroz e fritas. Excelente.

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As garrafas na parede do Malagueta
Foto: magari blu

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Detalhe de algumas das cachaças
Foto: magari blu

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Buffet de feijoada
Foto: magari blu

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A pedida do Magari blu: filé à parmegiana
Foto: magari blu

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Acompanhado de arroz branco e batata frita
Foto: magari blu

Onde encontrar:
www.restaurantemalagueta.com.br

 

– Café rural no Sítio Tamanduá

A Sophia, proprietária do Sítio Tamanduá, organiza aos sábados e domingos um delicioso café rural.

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A estrada que leva ao sítio
Foto: magari blu

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A casa no Sítio Tamanduá
Foto: magari blu

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A casa no Sítio Tamanduá
Foto: magari blu

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A vista é para o lago! Do outro lado, está a Fazenda Areia que Canta,
que oferece também passeios para turistas
Foto: magari blu

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Café rural
Foto: magari blu

O sítio tem uma grande produção de goiabas, então já dá para imaginar as guloseimas que vêm à mesa, todas feitas por lá: goiabada cremosa e cascão, torta tipo crostata de goiaba, queijos, bolos e pães bem variados.

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A mesa de doces, bolos e queijos – deliciosos!
Foto: magari blu

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Só goiaba: torta de goiaba tipo crostata, goiabada cascão e goiabada cremosa. Com queijo, claro!
Foto: magari blu

No fogão à lenha, ficam os salgados, como linguiças e mandioquinha, além da grande novidade da casa: o catchup de goiaba! O Sítio Tamanduá está lançando o produto e provamos em primeira mão. Difícil distingui-lo do catchup comum, é bem parecido e muito gostoso!

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Os salgados no fogão à lenha
Foto: magari blu

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Linguiça, mandioquinha e o catchup de goiaba, invenção do Sítio Tamanduá, provado em primeira mão pelo Magari blu!
Foto: magari blu

Dá para se esbaldar nessas delícias e ainda levar potes de doce para casa. Vale a pena!

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Os doces feitos no Sítio Tamanduá
Foto: magari blu

Onde encontrar:
www.sitiotamanduabrotas.com.br

 

*Onde ficar?

– Pousada Frangipani

A Pousada Frangipani, que fica na estrada que liga Brotas a Torrinha e Dois Córregos, é a indicação do Magari blu.

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Fim de tarde na Pousada Frangipani
Foto: magari blu

Clique aqui para ler mais sobre a pousada!

 

*O que levar?

Um destino como Brotas merece algumas dicas sobre o que levar na mala. Roupas confortáveis para fazer esportes e se molhar, inclusive do tipo dry fit, são essenciais. Não podem faltar ainda na bagagem tênis confortável para trilhas (se for usar papete no rafting, um par é suficiente. Se não, é bom levar dois pois um vai ficar ensopado!), papete (quem não tiver pode alugar, como mencionado acima), chinelos, biquínis e tops para as moças, sungas e bermudas para os moços, repelente, óculos escuros, protetor solar e boné. E não se esqueça de ter à mão opções de roupas confortáveis para trocar entre uma atividade e outra, se preciso.

Inclusive, recomendo que leve uma mochila com toalha e uma muda de roupa para trocar no vestiário da agência depois do rafting ou de qualquer outra atividade no rio ou em cachoeira. Você pode guardá-la no armário na própria agência ou deixar no ônibus que leva e traz do rio. E não se esqueça da máquina fotográfica – menos no rafting para não estragar. Mas não se preocupe: um fotógrafo da EcoAção acompanha os grupos e depois o CD com as fotos é vendido por R$ 45,00 (veja alguns cliques acima!). Vale a pena ter esse registro!

Ana Maria Junqueira está sempre viajando pelo mundo. É editora do Magari blu, consultora em viagens e a embaixadora de viagens da Perrier no Brasil.