Bröhan Museum e a exposição “Beijo” em Berlim

Dicas de Berlim por Laura Amman

O Bröhan Museum Berlin é um museu dedicado às artes decorativas. Objetos representativos da Art Déco, do Funcionalismo (Funktionalismus) e da Art Nouveau – chamada de Jugendstil nos países de língua alemã – formam o acervo do museu privado.

Parte do acervo do Bröhan Museum, exposto no andar térreo
Foto: Laura Ammann

O Jugendstil alemão foi inicialmente influenciado pelo Art Nouveau francês, mas seguiu um caminho próprio com a evolução do estilo. No recém fundado Império Alemão, o Jugendstil buscava através de formas concretas uma relação com a indústria, enquanto na França o Art Nouveau se apoiava em uma elaborada tradição artesanal do ofício artístico.

Parte do acervo do Bröhan Museum, exposto no andar térreo
Foto: Laura Ammann

A diferença entre os países se intensificou com o Art Déco: na França o estilo é elegante e luxuoso; na Alemanha ele ganha uma carga funcionalista e social. Essa tendência ao funcionalismo na Alemanha se deve também à influência de movimentos pós-Primeira Guerra que buscavam uma maior objetividade, como a Neue Sachlichkeit (nova objetividade) e o Neues Bauen (“o novo construir”). A apresentação da coleção do museu Bröhan tem uma agradável expografia, tornando o ambiente expositivo aconchegante. Além disso, os textos de parede são bastante ilustrativos.

Desde junho último o museu traz uma exposição temporária intitulada “Beijo. De Rodin a Bob Dylan”. O tema é seguro e seu trabalho pode facilmente se dar de forma bastante literal. No entanto a mostra busca certa complexidade ao mesclar trabalhos do final do século 19 até o ano presente, em suportes também variados, como pintura, cinema, vídeo, performance e escultura. O problema de um recorte tão amplo é que a entrega da proposta é de difícil concretização.

Espaço onde foi realizada a performance de Nezaket Ekici, Emotion in Motion (2017). A artista, tendo recebido um quarto inteiramente branco, tinge ele de vermelho através do batom de seus beijos
Foto: Laura Ammann

A exposição pretende mostrar como um gesto simples como o beijo serviu de inspiração à arte, começando pela Lebensreform (um movimento moralizador de caráter reacionário que criticava a modernização, industrialização e flexibilização das relações humanas), passando pelo Jugendstil e chegando ao século 20, com suas questões políticas e de gênero e identidade.

No entanto, mesmo que a exposição perca em alguns quesitos por conta de sua abrangência, ela continua valendo a visita pelo mesmo motivo. Dentro de um recorte temático tão amplo, é interessante para o visitante, se deparar com uma variedade tão grande de suportes. De forma simplificada pode-se dizer que da entrada da exposição dividem-se dois ambientes: à direita, um menos recente, e à esquerda, o mais contemporâneo.

Vídeo de Ulrike Rosenbach, Mutterliebe [Amor de mãe] (1977).
Uma mulher, usando um batom de cor forte, beija a bochecha de uma criança ininterruptamente, até que ela fique com um aspecto inteiramente avermelhado.
A identidade da mãe não aparece, o que pode sugerir que a identidade da mãe se confunde com a da filha. A intenção da artista é expor o componente obsessivo do amor materno
Foto: Laura Ammann

Ulrike Rosenbach, Mutterliebe [Amor de mãe] (1977)
Foto: Laura Ammann

Ulrike Rosenbach, Mutterliebe [Amor de mãe] (1977)
Foto: Laura Ammann

O terceiro andar do museu e a continuação da exposição de seu acervo
Foto: Laura Ammann

Logo na primeira sala, a pintura de Bob Dylan “The Kiss” (2012) está logo ao lado da escultura homônima de Rodin (1904), ambos trabalhos que dão nome à exposição. O registro da performance realizada in loco pela artista Nezaket Ekici (2017) abre a parte mais recente da mostra, ao lado do vídeo da artista Ulrike Rosenbach, intitulado “Mutterliebe”, amor de mãe (1977). Outro registro em vídeo mostra a performance “The Kiss” (2007) da artista austríaca Maria Anwander, que “doou” às paredes do MoMA um “French kiss”.

Primeira sala da exposição “Beijo. De Rodin a Dylan”, com as obras de Auguste Rodin (1904) e Bob Dylan (2012), ambas intituladas “O beijo”
Foto: Laura Ammann

Logo à frente do Schloß Charlottenburg e vizinho dos museus Berggruen e Sammlung Gerstenberg, o museu Bröhan pode acabar se tornando um passeio para o dia todo. A exposição ficará em cartaz até o dia 03 de outubro de 2017.

Fale conosco para organizar a sua viagem:

[email protected]

Formada em Produção Editorial e especialista em Museologia e Curadoria, Laura Ammann é co-fundadora do projeto Arte Conceituando, que publica entrevistas sobre arte, e é mestranda em História da Arte pela Universidade Humboldt. Laura é de São Paulo, mora em Berlim e traz as suas dicas no Magari Blu.