Bairro de Schöneberg em Berlim

02/09/2016

Dicas de Berlim por Laura Ammann

O bairro de Schöneberg, ao sudoeste de Berlim, é hoje sinônimo de muitas coisas. Desde áreas mais residenciais e tranquilas, passando por reservas verdes (como o Natur-Park Schöneberger Südgelände, comentado aqui) até o norte do bairro, conhecido por sua crescente e agitada comunidade gay, Schöneberg tem um pouco de tudo.

Alemães comemorando a chegada do sol, estendendo-se no início do parque Rudolph-Wilde Foto: Laura Ammann

Alemães comemorando a chegada do sol, estendendo-se no início do parque Rudolph-Wilde
Foto: Laura Ammann

Na coluna de hoje, o foco estará na Rathaus Schöneberg, a atual subprefeitura, e no Rudolph-Wilde-Park, possivelmente o parque mais charmoso do bairro.

A primeira menção a Schöneberg é de 1264, quando o atual bairro era ainda uma vila medieval. O seu primeiro prefeito, no entanto, é bastante recente. Somente em 1898 Rudolph Wilde assume a prefeitura de Schöneberg e, sob a sua administração, foram feitos planos para a construção da Rathaus e do parque municipal que hoje leva seu nome.

Wilde foi também responsável pelo planejamento e construção da linha de metrô U4 que, pequenina, com suas 5 estações, opera até hoje. A construção da linha U4 foi terminada no ano de morte de Wilde, em 1910, e tanto o parque quanto a prefeitura foram concluídas no mandato de seu sucessor, Alexander Dominicus.

O lago do parque, que, congelado no inverno, vira ringue de patinação Foto: Laura Ammann

O lago do parque, que, congelado no inverno, vira ringue de patinação
Foto: Laura Ammann

A Rathaus Schöneberg, atual subprefeitura de Schöneberg, é um importante símbolo do bairro. Durante a divisão da Alemanha, após a Segunda Guerra, ela abrigava o prédio da prefeitura da Alemanha ocidental, já que Schöneberg ficava no distrito americano da cidade.

Com a reunificação, a prefeitura de Berlim passou à Rotes Rathaus (prefeitura vermelha), cujo prédio está localizado no centro da cidade, em antiga área oriental. No alto da Rathaus há uma torre, de onde um enorme relógio anuncia o tempo, através também de seu sino, chamado de “Sino da Liberdade” (Freiheitsglocke). Os fundos para a sua instalação vieram de doações de civis americanos em 1950, reconstruindo a torre que havia sido destruída durante a guerra.

O parque coberto de neve e a torre da Rathaus, ao fundo Foto: João G. Rizek

O parque coberto de neve e a torre da Rathaus, ao fundo
Foto: João G. Rizek

A praça que aloca o prédio da Rathaus chama-se John F. Kennedy Platz, em referência a um famoso discurso que o então presidente dos EUA proferiu de lá, em junho de 1963. Conhecido através de uma de suas partes, “Ich bin ein Berliner” – ou seja, “eu sou um berlinense” – o discurso de Kennedy apoiava a Alemanha Ocidental e seu alinhamento aos EUA, bem como a defesa da democracia, em oposição ao regime soviético. A praça John F. Kennedy foi um ponto de concentração natural e espontâneo em Berlim no dia do assassinato do ex-presidente.

O Rudolph-Wilde-Park, por sua vez, tem seu início exatamente ao lado da John F. Kennedy Platz e de sua prefeitura, se estendendo por 650 metros até um complexo de lagos. Durante toda sua extensão, o parque é destino constante de corredores, crianças e famílias. O seu início, no entanto, é repleto de pequenas atrações. Um amplo e plano gramado, por exemplo, é o ponto de encontro dos banhistas, no verão, e dos patinadores de gelo, no inverno. Uma fonte com um grande veado dourado no topo pode ser visto de longe: a escultura, de August Gaul, representa o animal heráldico de Schöneberg, ou seja, o animal contido nos antigos brasões das coroas do bairro. Um brasão está também presente como mosaico criado no chão logo antes da entrada do metrô: a estação Rathaus Schöneberg, da linha U4 do metrô berlinense, fica exatamente nessa charmosa área, abaixo da ponte Carl Zuckmayer.

A ponte Carl Zuckmayer, ponto de encontro e de contemplação Foto: Laura Ammann

A ponte Carl Zuckmayer, ponto de encontro e de contemplação
Foto: Laura Ammann

Essa ponte, que divide o início do parque do seu extenso restante, é uma dos grandes cartões postais do bairro de Schöneberg. Ornado de esculturas mitológicas, o seu caminho é convidativo: são muitos os que descem de suas bicicletas para contemplar um lado ou outro do parque. Outra alternativa é levar um vinho ou uma cerveja, um livro ou uma boa companhia, e sentar-se em um dos bancos para assistir ao por do sol. Esse convívio público, tão natural em Berlim, não exige esforço e não atrai olhares curiosos: no Rudolph-Wilde-Park, assim como em outros pontos da cidade, você pode ser quem quiser.

O lago no outono e a estação de metrô, ao fundo Foto: João G. Rizek

O lago no outono e a estação de metrô, ao fundo
Foto: João G. Rizek

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Formada em Produção Editorial e especialista em Museologia e Curadoria, Laura Ammann é co-fundadora do projeto Arte Conceituando, que publica entrevistas sobre arte. Laura é de São Paulo, mora em Berlim e traz as suas dicas no Magari Blu.