Dicas de Berlim por Laura Ammann
O viajante observador certamente notará que os semáforos berlinenses têm um charme particular. O Ampelmann, “o homem do farol” em alemão, é o nome pelo qual é conhecido o homenzinho que sinaliza o trânsito aos pedestres de Berlim.

Foto: Laura Ammann
A russa Svetlana Boym, crítica literária e professora de Línguas Eslavas em Harvard, dedicou em seu livro “The Future of Nostalgia” um espaço para o Ampelmann. Sobre a capital alemã, ela escreveu que em nenhuma cidade do mundo o meio de transporte, antigas estações de metrô e trens são tão carinhosamente comemorados como em Berlim. Um exemplo da importância desses símbolos na cidade é a réplica do primeiro farol de trânsito europeu, na Potsdamer Platz. Outro, é o Ampelmann.
Hoje símbolo de Berlim, o Ampelmann nasceu na Berlim oriental, em 1961, pouco depois de os primeiros semáforos para pedestres serem criados, na década de 1950.

Foto: Laura Ammann
Dada a necessidade de diferenciar os faróis para pedestres dos para carros, o então psicólogo de tráfego, Karl Peglau, desenvolveu inicialmente um desenho que trabalhava com diferenciação de formas geométricas, além da já comum diferença de cores: uma seta verde para autorizar movimento, um círculo amarelo para chamar a atenção, e um retângulo vermelho ordenando a parada. Dessa forma, Peglau solucionava sua conhecida preocupação em torno daqueles que não poderiam diferenciar as cores. Apesar de bem recepcionado, o projeto não pode ir adiante e deu lugar a um novo desenho: o Ampelmann.

Foto: Laura Ammann
Após a reunificação, em 1990, avançava um projeto de homogeneização dos faróis da cidade, o que colocou o Ampelmann em risco. A resposta popular foi forte: um sinal cotidiano, que antes todos tomavam como desapercebido, passou a importar – e adquiriu um significado cultural e político. O homenzinho tornou-se, inesperadamente, um símbolo da resistência à “colonização ocidental sobre o oriente”, enquanto nostálgicos da Berlim oriental lutavam pela sua permanência. Mais humano que seu irmão ocidental, ele era um bom candidato a mascote – curiosamente, as feministas ocidentais da época não gostaram muito da ideia: claramente um homem, o Ampelmann se opunha à versão mais andrógena do semáforo ocidental.
Enfim, o Ampelmann foi mantido. Não só presente nos bairros orientais, ele hoje está nos faróis de toda a cidade. Hoje, pode-se encontrar três variações de Ampelmänner – no plural – em Berlim: além do oriental, há também o ocidental e o pan-alemão, criado posteriormente. Alguns distritos mais distantes de Berlim apresentam também, desde 2004 (em tempo para as feministas dos anos 1990), figuras femininas, as Ampelfrauen.
Toda a história por trás dessa figurinha intensificou tanto seu significado que hoje o Ampelmann é uma verdadeira sensação. Quem vem à Berlim com certeza passa por uma das suas lojas. Dentro delas, muitos souvenires: de canecas a toalhas, ou de cadeira de praia a uma réplica em tamanho real de um farol, tudo está lá, à venda e estampado com o homenzinho.

Foto: Laura Ammann
Além de lojinhas, da rede Ampelmann fazem parte alguns cafés e um restaurante, especialmente bem localizado. O Hackescher Markt, ponto disputado e indispensável de Berlim, fica à beira do rio Spree, oposto à ilha dos museus, outro cartão postal berlinense. Por um grande gramado estendem-se cafés, bares e restaurantes e, entre eles, o Ampelmann Restaurant.
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