A trilha a Machu Picchu

Tendências em viagens por Rogéria Pinheiro

Até 30 de novembro está acontecendo a Peru Week, com melhores condições para viajar ao Peru e restaurantes participantes com cardápios especiais pelo Brasil! Leia aqui.

Quando surgiu a oportunidade de ir ao Peru desbravar o Vale Sagrado dos Incas caminhando pela região de Lares, eu pensei: “será que vou gostar?” e “será que vou  aguentar?”. E foi com muitas expectativas e ansiedade que embarquei para essa aventura.

Já aviso: o Peru não é um destino para se conhecer às pressas; é preciso ter tempo para absorver tanta informação e diversidade, sem falar nas cores e sabores.

A natureza e as coresFoto: Rogeria Pinheiro

A natureza e as cores
Foto: Rogeria Pinheiro

Fios tingidos naturalmenteFoto: Rogeria Pinheiro

Fios tingidos naturalmente
Foto: Rogeria Pinheiro

CUSCO

A jornada começou em Cusco, a antiga capital inca. A cidade está localizada a uma hora de voo ao sul de Lima e a aproximadamente 3000 msnm. Simplesmente encantadora, com uma herança espanhola muito forte em sua arquitetura. Foi a maneira ideal de começar a viagem.

Sugiro hospedar-se pelo menos 2 noites, tempo ideal para aclimatação, já que as altitudes podem causar desconforto. Para evitá-lo, nada de muitas atividades físicas, bebidas alcoólicas e refeições pesadas no início da viagem. Se você tiver tempo de sobra, recomendo até 3 noites na cidade e arredores: há muito o que fazer além da agitada vida noturna que recebe gente do mundo todo.

Em Cusco, é visita obrigatória a Catedral de Cusco para ver os belos altares em diversos estilos, como renascentista e barroco, as obras em artesanato cusquenho e o púlpito de madeira entalhada, que remontam aos séculos 16, 17 e 18, época do domínio espanhol.

Catedral de CuscoFoto: Rogeria Pinheiro

Catedral de Cusco
Foto: Rogeria Pinheiro

Para entrar no clima, vale muito a pena visitar as ruínas de Sacsayhuaman. Esse foi meu primeiro contato com as ruínas incas, onde a pergunta é sempre a mesma para todos: “como eles conseguiram construir isso?”. Sacsayhuaman está muito perto do centro de Cusco e dá para conhecê-la em um passeio de meio dia.

Para uma experiência mais autêntica, recomendo o Mercado San Pedro, uma louca mistura de sons, cheiros, cores. Lá encontra-se de tudo um pouco: verduras, legumes, artesanato, o famoso cuy (porquinho da índia considerado uma iguaria peruana) e choclo, o milho mais saboroso do mundo, segundo meu paladar, é claro! 🙂

O cuy no Mercado San Pedro em Cusco Foto: Rogeria Pinheiro

O cuy no Mercado San Pedro em Cusco
Foto: Rogeria Pinheiro

Fiquei 2 noites no hotel boutique El Mercado Tunqui – que já foi visto aqui. São 31 apartamentos muito confortáveis, com decoração contemporânea e charmosa. Está a poucos passos da Plaza de Armas. Oferece serviço impecável e o restaurante onde é servido o café da manhã remete a um mercado antigo com delícias locais fresquinhas.

TRILHA LARES ADVENTURE

Saindo de Cusco começa a aventura! Partimos rumo a Machu Picchu com a Trilha Lares Adventure, programa idealizado e realizado pela Mountain Lodges of Peru – leia mais aqui.

Liderada por Enrique, Felipe e Claudia que, além de muito competentes, são completamente apaixonados pelo país, sua cultura e pessoas. Criaram o programa para mostrar ao mundo regiões completamente inexploradas pelo turismo e, de quebra, apoiar o desenvolvimento sustentável das comunidades locais.

Tear ManualFoto: Rogeria Pinheiro

Tear Manual
Foto: Rogeria Pinheiro

A Trilha Lares pode ser desbravada em 4 ou 6 noites. Essa flexibidade é ideal para quem deseja experimentar uma viagem como essa pela primeira vez. Mas a maior vantagem do programa é o fato de ser viável para todas as idades e, principalmente, preparo físico. A cada dia é possível escolher entre 2 a 3 níveis de ritmo de atividades.

Após um delicioso almoço, descida ingreme e desafiadoraFoto: Rogeria Pinheiro

Após um delicioso almoço, descida ingreme e desafiadora
Foto: Rogeria Pinheiro

As Ativas são destinadas para os caminhantes com bom preparo físico ou que prefiram desafios maiores. As caminhadas chegam a 7 horas no total.

As Semi-ativas, por sua vez, aplicam-se bem a caminhantes iniciantes ou que desejem desafios médios. As caminhadas chegam a 4 horas por dia com apoio de carros.

Já as Culturais são atividades que misturam caminhadas leves com uma imersão na cultura do país, com visitas guiadas a pequenos vilarejos, onde é possível aprender muito sobre as peculiaridades do povo dos vales.

Em algum lugar entre Huacauhuasi e Patakancha, no Vale de Lares A mula me "socorreu" para me ajudar a alcancar o íltimo trechoFoto: Rogeria Pinheiro

Em algum lugar entre Huacauhuasi e Patakancha, no Vale de Lares
A mula me “socorreu” para me ajudar a alcancar o íltimo trecho
Foto: Rogeria Pinheiro

Como meu condicionamento físico não era lá essas coisas, minhas escolhas foram gradativas. Foi uma excelente estratégia! Não posso dizer que foi fácil, mas encarei os desafios com força de vontade e muito, muito apoio dos guias da Mountain Lodges of Peru. A equipe é especializada nesse tipo de atividade, estão sempre prontos para nos orientar com toda calma, compreensão e eficiência. E posso dizer que a sensação de chegar ao final de cada dia superando vales em altitudes de até 4.460msnm não tem preço.

Em algum lugar entre Huacauhuasi e Patakancha, Vale de LaresNo dia da minha caminhada mais longa, 7 horas Chegamos a 4.450msmsFoto: Rogeria Pinheiro

Em algum lugar entre Huacauhuasi e Patakancha, Vale de Lares
No dia da minha caminhada mais longa, 7 horas
Chegamos a 4.450msms
Foto: Rogeria Pinheiro

Eu não imaginava encontrar nos lodges, estrategicamente construídos ao longo do Vale de Lares, a melhor recompensa. Os lodges Lamay eH Huacahuasi têm 8 acomodações cada e estão novinhos em folha.

Ambientes claros, com decoração de muito bom gosto, espaçosas acomodações com camas queen ou king size e chuveiros ultra potentes. No caso do Huacahuasi, jacuzzi na varanda de cada apartamento. E, o melhor de tudo, toda equipe faz parte das comunidades locais, que participa ativamente da cooperativa que incentiva o desenvolvimento por meio de educação, saúde e, principalmente, preservação dos costumes da região.

Lodge Huacauhuasi e a vista dos apartamentoFoto: Rogeria Pinheiro

Lodge Huacauhuasi e a vista dos apartamento
Foto: Rogeria Pinheiro

Serão 3 lodges ao todo, e enquanto o terceiro não fica pronto, o hotel Pakaritambu em Ollantaytambo no Vale Sagrado é escolhido para receber os caminhantes, localizado a poucos passos das imperdíveis ruínas de Ollantaytambo e da estação de trem que leva a Machu Picchu Pueblo. O hotel, apesar de ser mais simples que os outros lodges, atende muito bem.

Hora de compras! Vilarejo de PisaqFoto: Rogeria Pinheiro

Hora de compras!
Vilarejo de Pisaq
Foto: Rogeria Pinheiro

As caminhadas são muito especiais. A sensação de estar pisando naquelas terras pela primeira vez é constante. Em 3 dias caminhando não encontramos nenhum outro viajante, além das “cholas” e llamas. Montanhas refletem um tom de verde exuberante e, de repente, banham-se em tons amarronzados, até o negro das pedras escarpadas. Cascatas que ao longe nos pareciam fios d’água e, após algumas horas de caminhada, se revelavam grandiosas cachoeiras.

 

Uma paradinha na trilha...Foto: Rogeria Pinheiro

Uma paradinha na trilha…
Foto: Rogeria Pinheiro

No meio do dia, almoços deliciosos, preparados em acampamentos bem equipados, nos deixavam revigorados para mais algumas horas de trilha.

Acampamentos montados no percurso Foto: Rogeria Pinheiro

Acampamentos montados no percurso
Foto: Rogeria Pinheiro

Desenterrando as papas e carnes do nosso Pachamanka Estilo incaico de cozinhar direto na terra em PisaqFoto: Rogeria Pinheiro

Desenterrando as papas e carnes do nosso Pachamanka
Estilo incaico de cozinhar direto na terra em Pisaq
Foto: Rogeria Pinheiro

OLLANTAYTAMBO 

Chegamos em Ollantaytambo no final da tarde para o merecido jantar e descanso. No dia seguinte, saímos pela manhã para visitar o sítio arqueológico. É bem impressionante como a estrutura da cidade Inca está bastante conservada e data do final do século 15. A visita é tranquila, umas 2 horas por lá é suficiente e por ali há um mercado de artesanato bem interessante.

Seguimos a pé até a estação de trem de Ollantaytambo. Como o trem tem limite de peso nas bagagens, a dica é deixar a mala principal em Ollantaytambo e partir para Machu Picchu apenas com uma mochila. Antes do almoço partimos para Machu Picchu Pueblo no Inca Rail – outra grande surpresa!

INCA RAIL

A primeira classe é super confortável, tivemos um delicioso almoço a bordo e a viagem em um vagão reservado para o grupo foi muito agradável. Foram 2 horas de viagem entre paisagens belíssimas.

Inca RailFoto: Rogeria Pinheiro

Inca Rail
Foto: Rogeria Pinheiro

Ao chegar, seguimos a pé direto ao Relais & Châteaux Inkaterra Pueblo Hotel para uma tarde de descanso, antes de realizar o sonho de conhecer as tão esperadas ruínas de Machu Picchu! Uma das 7 maravilhas do mundo moderno.

MACHU PICCHU

Para subir até as ruínas há 2 alternativas: uma hora e meia de caminhada ou embarcar em ônibus regulares, num trajeto de cerca de meia hora. E não tem jeito, tem que ir bem cedinho. A partir das 9 horas da manhã começam a chegar os visitantes que vão a Machu Picchu apenas para passar o dia e fica muito, muito lotado.

Considerando tudo isso, acordamos às 4h30 da manhã para um café da manhã com calma e às 5h30 já partimos a pé, dessa vez só até o terminal de ônibus. A essa hora já tinham filas e alguns ônibus já tinham subido. Tudo funcionou super rápido e organizado e a equipe da Mountain Lodges estava o tempo todo nos acompanhando e auxiliando.

Chegar nas ruínas de Machu Picchu é algo muito significativo. Pode ser clichê, mas é a realidade. Machu Picchu me deixou sem palavras! É um momento único que vale ser curtido de maneira bem individual. Passei alguns minutos extasiada, contemplando aquelas montanhas e absorvendo toda aquela vibração e olhando para meu último desafio: a montanha de Huayna Picchu.

Machu Picchu e eu momento de emoçãoFoto: Rogeria Pinheiro

Machu Picchu e eu momento de emoção
Foto: Rogeria Pinheiro

Isso mesmo, as aventuras não terminaram em Ollanta, nós subimos a íngreme Huayna Picchu, a montanha jovem, em uma dura caminhada de uma hora e meia. Cada parada para recuperar o fôlego e secar o suor era uma chance de contemplar aquelas montanhas que me fizeram sentir muito pequenina, mas muito corajosa também.

Subir a Huayna Picchu é opcional. Atualmente são permitidas apenas 500 pessoas por dia explorando a montanha. Contemplar Machu Picchu lá de cima é algo que vai ficar na minha memória para sempre. Após descer dessa última aventura, seguimos pelos caminhos dentro das ruínas, tentando decifrar seus mistérios e nos encantando mais e mais.

Machu Picchu vista de Huayna PicchuFoto: Rogeria Pinheiro

Machu Picchu vista de Huayna Picchu
Foto: Rogeria Pinheiro

Após o almoço em outro charmoso hotel da cidade e últimas comprinhas, retornamos de Inca Rail para Ollantaytambo no Vale Sagrado. Entre promessas de um breve retorno e muita gratidão, nos despedimos da equipe da Mountain Lodges of Peru e partimos em carro privativo para Urubamba. Foram apenas 20 minutos de traslado.

VALE SAGRADO

Para finalizar a viagem no paraíso, o Relais & Châteaux Sol y Luna Lodge & Spa – leia mais aqui. Construídas entre jardins floridos e bem cuidados estão as rústicas “casitas”. São acomodações confortáveis com decoração que homenageia lindamente a cultura local e recebeu um toque especial de Frederico Bauer, um dos mais importantes artistas plásticos do Peru.

Tudo funciona perfeitamente sob os atentos e carinhosos olhos de Franz e Petit, proprietários do hotel, casal de franceses que há 20 anos mudou-se para o Vale Sagrado. Com o desejo de ajudar aquelas comunidades a ter acesso a melhores condições de educação, saúde e estrutura da vida, sem perder suas raízes, criaram o Hotel Sol y Luna Lodge & Spa para suportar um projeto social incrível que hoje apoia até 150 crianças locais.

Essa viagem realmente foi reveladora de diversas maneiras. Conheci o Peru de um jeito especial, apesar de visitar os principais pontos de interesse nessa região do país, fiz isso de uma maneira nada convencional. E, sim, é o tipo de experiência que recomendo para todo mundo, pela beleza dos lugares, pelas amizades construídas e pelas lições aprendidas.

PisaqFoto: Rogeria Pinheiro

Pisaq
Foto: Rogeria Pinheiro

O Peru é único!

*Quando ir?

A melhor época para visitar o Peru é de março a novembro, quando as temperaturas estão mais secas.  Há voos diários para Lima, capital Peru, e de lá saem excelentes conexões a Cusco.

Em 2015 já são pelo menos 5 saídas por mês para os programas Lares Adventures de 6 e 4 noites.

*Recapitulando: a logística do roteiro

A logística do meu roteiro foi ótima: 2 noites em Cusco, 4 noites no Programa Lares Adventure (uma noite no Lodge Lamay, uma noite no Lodge Huacahuasi, uma noite em Ollantaytambo e uma noite em Machu Picchu) e 2 noites no Sol y Luna Lodge Spa. Quem tiver mais tempo e disposição, vale muito a pena optar pelo Programa Lares Adventure de 6 noites que oferece uma noite a mais nos Lodges Lamay e Huacahuasi.

*Confira aqui mais dicas de roteiros pelo Peru!

Boa viagem!

Formada em turismo, Rogéria Pinheiro é apaixonada por viagens e pela arte de fazer sonhos. Ao longo de 15 anos construiu uma sólida carreira no mercado de viagens de alto padrão e visitou destinos incríveis. Hoje atua com a sua consultoria especializada junto às mais sofisticadas agências e operadoras de viagens do Brasil. No Magari blu, apresenta aos leitores as tendências em viagens e o que está na moda pelo mundo do turismo.