“A felicidade só é verdadeira quando compartilhada”: será?

“A felicidade só é verdadeira quando compartilhada”. Você com certeza já ouviu essa frase. Concorda com ela?

Hoje, o que vejo, é que a premissa mencionada acima ganhou todo um novo significado. Não interessa mais tanto assim quem esteja ao seu lado ao provar a sobremesa icônica em alguma capital europeia que você tanto ouviu falar. Ou então para curtir ao vivo, de olhinhos fechados e braços acima da cabeça, aquela canção que marcou a sua adolescência. Ou a final da Copa do Mundo no Brasil, afinal… Sabe-se lá quando terá a oportunidade de presenciar um momento assim novamente, não é?

O que tem interessado, cada vez mais, é o 3G. O wi fi. É poder compartilhar aquele momento de felicidade não com a companhia na poltrona ao lado, mas com os seguidores nas redes sociais. De que adianta encontrar alguém famoso se não for para postar? De que adianta contemplar uma vista de tirar o fôlego se a foto não ficou boa?

Não tem problema nenhum compartilhar os cliques da vida nas redes sociais e acho que hoje em dia são cada vez mais raros aqueles indivíduos que não o fazem. O que questiono aqui são as razões pelas quais as imagens pre-ci-sam subir, e em tempo real – ou perdem a graça.

O que parece mais perder a graça é o que de fato está acontecendo em tempo real bem diante do seu nariz e que não deveria passar despercebido, enquanto você está com o pescoço curvado, de olho na tela do smartphone.

É preciso estar atento para que o desejo de dividir com o mundo um momento especial não se torne mais especial que o próprio momento. A felicidade tem de ser mais real do que aquela que tantas vezes é – meramente – compartilhada. Preserve um pouco a sua vida e, sobretudo, as pessoas reais que estão nela. Esses seguidores você não vai querer perder…

Ana Maria Junqueira está sempre viajando pelo mundo. É editora do Magari blu, consultora em viagens e a embaixadora de viagens da Perrier no Brasil.