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Refúgio Ecológico Caiman: safári e cultura no Pantanal

Onde ficar

29 maio 2017 Publicado por

Fazendo as malas para embarcar à minha primeira viagem ao Pantanal só pensava nas onças. Queria tanto ver ao menos uma! Os “big cats” sempre me fascinaram e, nas viagens de safári na África, são os maiores focos: leões, guepardos e, claro, leopardos, os meus preferidos. Na Ásia, fiz safári para ver tigre no Nepal, mas ainda guardo esta frustração, pois não consegui avistá-lo! Por isso, não queria deixar de ver uma onça pintada – uma ao menos – logo aqui no Brasil.

Carro de safári do Refúgio Ecológico Caiman
Foto: Ana Maria Junqueira

O Refúgio Ecológico Caiman está localizado próximo a Miranda/MS, na região do Pantanal do Sul. Em uma área de 53.000 hectares, destinada principalmente à criação de gado, o ecoturismo vem sendo explorado há cerca de 30 anos já.

Refúgio Ecológico Caiman
Foto: Ana Maria Junqueira

Tuiuiu, a ave símbolo do Pantanal
Foto: Ana Maria Junqueira

Jacaré, o símbolo da Caiman
Foto: Ana Maria Junqueira

Pioneiro na atividade no Pantanal, tem 2 pousadas situadas em localizações diferentes, com operação própria, piscina e restaurante.

Pousada Cordilheira no Refúgio Ecológico Caiman
Foto: Ana Maria Junqueira

A Pousada Cordilheira tem suítes mais espaçosas, com antessala e 2 banheiros, e acomodam até 3 pessoas por quarto.

Pousada Cordilheira no Refúgio Ecológico Caiman
Foto: Ana Maria Junqueira

Pousada Cordilheira no Refúgio Ecológico Caiman
Foto: Ana Maria Junqueira

Pousada Cordilheira no Refúgio Ecológico Caiman
Foto: Ana Maria Junqueira

Pousada Cordilheira no Refúgio Ecológico Caiman
Foto: Ana Maria Junqueira

E a Pousada Baiazinha, por sua vez, está numa área linda de vazante, que, dependendo da época, fica cheia de água. Ambas de muito bom gosto e aconchegantes.

Pousada Baiazinha no Refúgio Ecológico Caiman
Foto: Ana Maria Junqueira

Pousada Baiazinha no Refúgio Ecológico Caiman
Foto: Ana Maria Junqueira

Pousada Baiazinha no Refúgio Ecológico Caiman
Foto: Ana Maria Junqueira

Pousada Baiazinha no Refúgio Ecológico Caiman
Foto: Ana Maria Junqueira

O projeto vem para nos mostrar que a vida selvagem pode, sim, conviver em harmonia com a criação de gado de corte e o domínio do homem.

Refúgio Ecológico Caiman
Foto: Ana Maria Junqueira

Palco de alguns diferentes projetos de conservação, os resultados obtidos ao longo dos anos são mais que satisfatórios e têm um papel importante de manter espécies ameaçadas e, mais relevante ainda, de educar as pessoas a respeito, mudando a mentalidade de quem, por tradição, não vislumbrava a coexistência destes dois mundos.

Refúgio Ecológico Caiman
Foto: Ana Maria Junqueira

O bacana de se hospedar aqui é fazer safáris para avistar as variadas espécies de aves, mamíferos e répteis que são nativas do Pantanal e que vivem, se reproduzem e se alimentam com mínima interferência humana.

Queixadas
Foto: Ana Maria Junqueira

Queixada
Foto: Ana Maria Junqueira

Jacaré
Foto: Ana Maria Junqueira

Jacarés
Foto: Ana Maria Junqueira

Garça-moura
Foto: Ana Maria Junqueira

Príncipe-negro
Foto: Ana Maria Junqueira

Carcará e curicaca
Foto: Ana Maria Junqueira

Capivara
Foto: Ana Maria Junqueira

Filhote de capivara mamando
Foto: Ana Maria Junqueira

Pica-pau
Foto: Ana Maria Junqueira

Gavião-carijó
Foto: Ana Maria Junqueira

Cateto e seu filhote
Foto: Ana Maria Junqueira

Bem-te-vi
Foto: Ana Maria Junqueira

Periquitos
Foto: Ana Maria Junqueira

Jaguatirica
Foto: Ana Maria Junqueira

Diferentemente dos safáris na África, a quantidade de grandes animais não é a mesma, claro. Aqui não temos leões, rinocerontes, elefantes e nem hipopótamos… Mas quem vem ao Pantanal sabe muito bem disso.

Cegonhas cabeça seca e colhereiros
Foto: Ana Maria Junqueira

Colhereiros
Foto: Ana Maria Junqueira

Cegonhas cabeça seca
Foto: Ana Maria Junqueira

Martim-pescador
Foto: Ana Maria Junqueira

Tucano
Foto: Ana Maria Junqueira

Veado
Foto: Ana Maria Junqueira

Gavião-caramujeiro
Foto: Ana Maria Junqueira

Gavião-preto
Foto: Ana Maria Junqueira

Frango-d’água-azul
Foto: Ana Maria Junqueira

As espécies pantaneiras são bem diversas das africanas mas a paisagem natural me lembrou bastante as planícies alagadas do Delta do rio Okavango em Botswana.

Pantanal
Foto: Ana Maria Junqueira

Refúgio Ecológico Caiman
Foto: Ana Maria Junqueira

Se, por um lado, talvez perdemos ao continente africano pela quantidade de grandes e assustadores animais, por outro, ganhamos em cultura e autenticidade, sem falar nas nossas espécies que são lindas de se contemplar. O Refúgio Ecológico Caiman enaltece a cultura local pantaneira, praticamente intocada pelas modernidades da cidade grande e presente no dia a dia dos peões.

Peões da Estância Caiman
Foto: Ana Maria Junqueira

Os hóspedes têm este contato direto, por meio de atividades como o café da manhã carreteiro, ou “quebra-torto”, como é chamado pelos pantaneiros. Logo cedo, arroz carreteiro e ovo frito fazem parte da refeição com a sustança esperada para encarar o longo dia na lida com o gado.

Arroz carreteiro no fogão à lenha
Foto: Ana Maria Junqueira

Além de provarmos (e aprovarmos) a comida, os peões contam seus causos e compartilham na roda seu tereré, infusão de erva-mate e água gelada típica daqui.

O café da manhã “quebra-torto”
Foto: Ana Maria Junqueira

É uma oportunidade muito rica para quem vem de longe conhecer mais sobre esta importante região do país, que tem raízes fortes e marcantes, e ver e ouvir sobre o mundo apaixonante das fazendas de gado.

Tropa da Estância Caiman
Foto: Ana Maria Junqueira

Além disso, nos passeios, os hóspedes estão sempre acompanhados de 2 guias: um biólogo bilíngue e um Caimaner, o guia de campo e pantaneiro. Esta combinação é de sucesso certo, pois, enquanto o guia biólogo não deixa escapar nenhum nome das espécies avistadas e tira as mais diversas dúvidas sobre os animais e as plantas, o Caimaner é o representante do incessante contato com a cultura local, proporcionando uma troca rica de experiências e vivências.

O ecoturismo se encontra com a criação de gado
Foto: Ana Maria Junqueira

Tivemos a sorte de sermos acompanhados pelo Guilherme, chefe dos guias, e pelo Guaraná, o pantaneiro mais simpático da fazenda.

Guaraná, o Caimaner
Foto: Ana Maria Junqueira

Entre os projetos que são desenvolvidos na área da Caiman, destaco o Projeto Arara Azul e o Onçafari. As araras azuis foram riscadas da lista de animais em extinção a partir do sério desenvolvimento de conservação feito na Caiman.

Araras azuis no Refúgio Ecológico Caiman
Foto: Ana Maria Junqueira

É possível agendar um passeio para saber mais sobre o Projeto Arara Azul, visitar ninhos e aprender sobre uma das espécies de aves mais fascinantes que temos no Brasil. E ainda quem não participa deste passeio consegue avistar diversas araras azuis pela Caiman, voando livremente pelos céus pantaneiros.

Araras azuis no Refúgio Ecológico Caiman
Foto: Ana Maria Junqueira

O Onçafari, também pioneiro no Brasil, visa observar, estudar e conservar as onças pintadas, com a ajuda essencial do ecoturismo. É possível avistar onças em passeios regulares do Caiman, mas o Onçafari sai com este único intuito: achar as onças.

Onçafari
Foto: Divulgação/Boris Kuhar

Os guias especializados fazem um acompanhamento diário do que é o 3º maior felino do mundo, por meio de câmeras e sinais de satélite. Com isso, têm a possibilidade de acompanhar seus hábitos, o que, de novo, jamais havia sido feito no Brasil, e, claro, têm uma ajudinha extra para rastreá-las e facilitar a sua visualização pelos viajantes.

Onça pintada Suricata
Foto: Divulgação/Leonardo Sartorello

Onça pintada Esperança
Foto: Divulgação/Carlos Eduardo Fragoso

Durante a minha hospedagem, receberam um aviso de avistamento de onça e lá fomos nós no carro do Onçafari na tentativa de vê-la de pertinho. Cada onça monitorada pelo projeto é batizada com um nome diferente e a nossa busca era pela Isa.

Pegada de onça no Refúgio Ecológico Caiman
Foto: Ana Maria Junqueira

Chegamos na região próxima a onde ela estava, mas provavelmente a onça ficou por um bom tempo ainda descansando, escondida. Choveu, escureceu, e nada de ela aparecer. Demorou um pouco e eu estava tentando manter as esperanças pois não queria que se repetisse a frustração que tive ao não conseguir ver o tigre no Nepal.

Carro do Projeto Onçafari
Foto: Ana Maria Junqueira

Eis que a Isa surge, elagantemente caminhando com suas pintinhas para fora da mata. Olhou bem para o carro, pareceu até que hesitara um pouquinho e pensara em voltar para trás, mas seguiu seu rumo. O nosso veículo foi acompanhando-a por um bom tempo, paralelo à onça. Ora ela desaparecia no meio do mato, ora ressurgia sempre em frente.

Onça pintada Isa
Foto: Ana Maria Junqueira

Estava escuro e os registros não ficaram bons, mas dá para ter uma ideia de quão lindo é este animal, o topo da cadeia alimentar do Pantanal. Foi uma grande emoção ver uma onça de perto. Depois de muito caminhar, a Isa decidiu cruzar a estrada à nossa frente e entrou numa mata, desaparecendo. Todos com um sorriso de orelha a orelha no rosto.

Confira aqui o vídeo da busca da onça pintada:

Retornamos à pousada, descemos do carro, já estávamos agradecendo aos nossos guias do Onçafari pela experiência incrível, quando eles receberam uma outra comunicação via rádio. Sim, outra onça estava dando as caras próximo a um açude, pertinho da pousada.

Subimos no carro com bastante pressa e tocamos até lá. Não consegui tirar nenhuma foto, tamanha a comoção ao identificar que não era uma onça e, sim, duas! A Nusa com sua filhote, que já não é tão pequena, estavam bebendo água. Fitaram-nos bem nos olhos, terminaram de se refrescar, e, também, sumiram mata adentro.

Foi neste açude em que avistamos as duas onças juntas
Foto: Ana Maria Junqueira

Eu, que queria tanto avistar uma oncinha, mal acreditava nos meus olhos – foram 3!

Sapo cururu
Foto: Ana Maria Junqueira

Refúgio Ecológico Caiman
Foto: Ana Maria Junqueira

Dá para fazer, ainda, trilhas a pé e passeio de canoa. Na água, não espere a emoção da busca às onças, mas confesso que dá um certo receio embarcar no meio de tantos jacarés! Mas, ao começar a deslizar pela água, eles desapareceram, nos emprestando seu território para curtir o silêncio e a beleza do local. Uma tranquilidade que não cansa…

Passeio de canoa no Refúgio Ecológico Caiman
Foto: Ana Maria Junqueira

A fórmula de sucesso deste empreendimento tem muito a ver com paixão. A família proprietária do Refúgio Ecológico Caiman teve bastante coragem ao explorar o ecoturismo no Pantanal antes de todos e ao se dedicar à conservação de espécies como a onça pintada, tida como uma grande inimiga dos fazendeiros.

Refúgio Ecológico Caiman
Foto: Ana Maria Junqueira

Raphael, filho do proprietário, é o gerente das pousadas e deixou a vida em São Paulo para cuidar de perto da parte de hotelaria, depois de um intercâmbio no renomado lodge Landolozi na África do Sul. A sua dedicação se reflete nos pequenos detalhes que surpreendem e encantam durante a estadia no Refúgio Ecológico Caiman, como os lindos jantares que ele coordena. Não tem como não se encantar.

😉
Foto: Ana Maria Junqueira

Como chegar?

A partir de Campo Grande, são cerca de 3h30 de carro até o Refúgio Ecológico Caiman. Dá para organizar um transfer com motorista ou dirigir um carro alugado. Existe também uma pista de pouso que recebe aviões particulares e fretados.

Refúgio Ecológico Caiman
Foto: Ana Maria Junqueira

Quanto tempo ficar?

De 3 a 4 noites é o mínimo. O máximo? Depende de quanto você se apaixonar, como eu, pelo Pantanal!

Uma boa dica ainda, se tiver mais tempo, é combinar o destino com Bonito.

Pertinho do jacaré
Foto: Vinicius Basso

Jacarés no Refúgio Ecológico Caiman
Foto: Ana Maria Junqueira

*Quando ir?

O ano todo, com exceção do alto verão, que é a época de cheia e muito calor. A alta estação vai de junho a setembro.

Fui no final de maio e peguei um pouco de chuva fora de época. Mas deu para aproveitar mesmo assim.

Refúgio Ecológico Caiman
Foto: Ana Maria Junqueira

Testado e superaprovado por Magari Blu!

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contato@magariblu.com 

Ana Maria Junqueira é a idealizadora do blog Magari Blu e fundadora da premiada agência de viagens Magari Blu Viagens. Escreve sobre viagens, faz a curadoria de todo o conteúdo que você vê por aqui e organiza roteiros personalizados e reservas.

Comentários

  1. Texto delicioso! As fotos são lindas, dando-nos a sensação de proximidade e familiaridade.
    Parabéns Ana Maria e parabéns Brasil!!!

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